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Textos & Transcrições

Hillary Clinton e ministro marroquino Al-Othmani no Diálogo Estratégico

14 de setembro de 2012

Trecho relacionado com os ataques à missão diplomática dos EUA em Benghazi, Líbia

DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA
Escritório do Porta-Voz
13 de setembro de 2012

PRONUNCIAMENTO

Secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Saad-Eddine Al-Othmani
Na plenária de abertura do Diálogo Estratégico EUA-Marrocos
13 de setembro de 2012

Salão Benjamin Franklin

SECRETÁRIA HILLARY CLINTON: Bom dia. Permitam-me dar as boas-vindas aos nossos amigos e colegas do Marrocos presentes aqui no Salão Benjamin Franklin no oitavo andar do Departamento de Estado para esta primeira e tão importante sessão do Diálogo Estratégico EUA-Marrocos. Antes de começar a tratar da importância deste Diálogo Estratégico e da próxima etapa da nossa longa relação com o Marrocos, quero dizer algumas palavras sobre os eventos que estão se desenrolando no mundo nestes dias.

Estamos acompanhando de perto o que está acontecendo no Iêmen e em outros lugares e esperamos que sejam tomadas medidas para evitar violência e impedir que a escalada de protestos se transforme em mais violência.

Também gostaria de comentar sobre o vídeo que está circulando na internet que resultou nesses protestos em vários países. Vou afirmar com bastante clareza – e espero que isso seja óbvio – que o governo dos Estados Unidos não teve absolutamente nada a ver com esse vídeo. Nós rejeitamos totalmente seu conteúdo e mensagem. O compromisso dos EUA com a tolerância religiosa remonta aos primórdios da nossa nação. E, como vocês sabem, nosso país é o lar de pessoas de todas as religiões e muitas delas vieram a este país em busca do direito de exercer sua própria religião, entre elas, é claro, milhões de muçulmanos. E temos o maior respeito pelas pessoas de todas as crenças.

Para nós, para mim pessoalmente, esse vídeo é repulsivo e repreensível. Parece ter um propósito profundamente depreciativo: denegrir uma grande religião e provocar fúria. Mas, como disse ontem, não há justificativa, nenhuma mesmo, para responder a esse vídeo com violência. Condenamos com veemência a violência que se viu e apreciamos imensamente o fato de muitos muçulmanos nos Estados Unidos e em todo o mundo terem se manifestado sobre essa questão.

A violência, acreditamos, não tem lugar na religião e não é forma de honrar a religião. O islamismo, como outras religiões, respeita a dignidade fundamental dos seres humanos, e é uma violação dessa dignidade fundamental realizar ataques contra inocentes. E enquanto houver quem esteja disposto a derramar sangue e tirar vidas inocentes em nome da religião, em nome de Deus, o mundo não conhecerá uma paz verdadeira e duradoura. É especialmente errado que a violência seja direcionada contra missões diplomáticas. Esses são lugares cujo propósito é pacífico: promover o melhor entendimento entre os países e as culturas. Todos os governos têm a responsabilidade de proteger esses espaços e pessoas, porque atacar uma embaixada é atacar a ideia de que podemos trabalhar juntos para construir o entendimento e um futuro melhor.

Agora, é difícil para algumas pessoas entenderem por que os Estados Unidos não podem ou simplesmente não impedem esses tipos de vídeos repreensíveis de serem divulgados. Observo que no mundo de hoje, com as tecnologias de hoje, isso é impossível. Mas, mesmo se fosse possível, nosso país tem uma longa tradição de liberdade de expressão que está consagrada na nossa Constituição e nas nossas leis e não impedimos que os cidadãos expressem suas opiniões por mais repugnantes que possam ser.

Há, é claro, opiniões diferentes no mundo sobre os limites da liberdade de expressão, mas não deve haver discussão sobre a simples afirmação de que a violência em resposta à expressão não é aceitável. Todos nós – sejamos líderes de governo, líderes da sociedade civil ou líderes religiosos – precisamos nos opor à violência. E todo líder responsável deve se posicionar e se opor à violência.

Quis começar com essas declarações, porque, como nossos amigos marroquinos e todos vocês sabem, esta foi uma semana difícil no Departamento de Estado. Agradeço muito, ministro, as condolências que seu governo expressou à nossa embaixada em Rabat. E, embora essa tragédia tenha acontecido lá longe em Benghazi, lembramos dos profundos laços que ligam o Marrocos aos Estados Unidos. Foi nas Montanhas de Atlas do Marrocos que um dos americanos que perdemos esta semana, o embaixador Chris Stevens, apaixonou-se pela região quando serviu como voluntário do Corpo da Paz. Aquela experiência colocou-o no caminho de uma carreira de décadas de serviço. Portanto, pela memória dos amigos e colegas que caíram, vamos nos lembrar das muitas maneiras em que não apenas nossos governos, mas o povo das nossas duas nações, trabalharam juntos para construir um futuro melhor.

* * * *

Neste momento tenso e turbulento, é mais importante do que nunca para as pessoas de diferentes crenças trocar ideias, construir entendimento e promover a tolerância religiosa. É um dos grandes desafios do século 21, e um desafio que devemos enfrentar juntos.