DCSIMG
Skip Global Navigation to Main Content
Textos & Transcrições

Hillary Clinton no lançamento da Iniciativa de Financiamento de Energia Limpa EUA-África

25 de junho de 2012

DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA
Escritório do Porta-Voz
22 de junho de 2012

PRONUNCIAMENTO

Secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton,
no lançamento da Iniciativa de Financiamento de Energia Limpa EUA-África

22 de junho de 2012
RioCentro
Rio de Janeiro, Brasil

SECRETÁRIA HILLARY CLINTON: Muito obrigada. Permitam-me começar agradecendo a Todd Stern, nosso enviado especial para Mudanças Climáticas. Quero apresentar a vocês Elizabeth Littlefield, que falará daqui a pouco – ela é presidente e diretora executiva da Corporação para Investimentos Privados Internacionais, conhecida como Opic. E também Lisa Jackson, administradora da Agência de Proteção Ambiental dos EUA e extraordinária defensora do desenvolvimento e da energia sustentáveis e do meio ambiente.

Há tantos convidados ilustres presentes aqui de todo o mundo, mas quero saudar em especial os representantes da ONU e as delegações da África do Sul, do Quênia, de Gana e Ruanda. E de Burundi. É uma excelente demonstração de seu compromisso com a meta de energia limpa e o projeto que estamos anunciando hoje. E a todos os nossos outros parceiros, em especial aqueles do setor privado, agradeço o compromisso de vocês.

Estamos aqui no Rio porque entendemos que o desenvolvimento sustentável é a chave para nosso futuro comum, tanto para nosso sucesso econômico quanto para nossa segurança ambiental. Também reconhecemos que os governos sozinhos não podem solucionar todos os problemas que enfrentamos, das mudanças climáticas à persistência da pobreza e à escassez crônica de energia. É por isso que somos tão favoráveis a parcerias, parcerias entre governos, o setor privado e a sociedade civil.

Nesta semana no Rio, os Estados Unidos anunciaram uma ampla gama de novos projetos e parcerias. Estamos nos juntando ao Brasil para conseguir apoio a programas de sustentabilidade urbana. Estamos fazendo parceria com o Banco Mundial e outras instituições para reduzir as emissões nocivas de resíduos sólidos. E estamos trabalhando com empresas como Coca-Cola, Unilever e demais participantes do Fórum de Bens de Consumo para combater o desmatamento por meio de cadeias de fornecimento sustentáveis.

E hoje tenho o prazer de anunciar outra parceria para o desenvolvimento sustentável, destinada a levar energia limpa para a África. Energia limpa é algo que todos nós dizemos defender. Já fizemos muitos discursos sobre isso, mas agora é hora de agir. E sabemos que, conforme a África está decolando economicamente, com algumas das economias de mais rápido crescimento do mundo em meio ao que ainda é uma economia global muito precária, a energia limpa trará novos empregos, criará novos meios de subsistência, respaldará a educação, novos negócios, vidas mais saudáveis e produtivas, bem como reduzirá as emissões que contribuem para as mudanças climáticas. E em nossa opinião trata-se de uma fórmula vencedora.

Muitas pessoas em muitos lugares não têm acesso seguro à eletricidade a preços acessíveis enquanto fontes abundantes de energia e fontes de energia limpa continuam sem ser usadas. A África é abençoada com vastos recursos geotérmicos no Leste e com os maiores recursos hidrelétricos do mundo no centro do continente, além de sol radiante em todas as regiões. No entanto, apenas um em cada quatro lares da África tem acesso à eletricidade hoje. Isso equivale a 600 milhões de homens, mulheres e crianças vivendo sem eletricidade para acender a luz ou usar uma máquina em uma fábrica.

E por que existe essa lacuna? Não se trata de uma barreira tecnológica. Sabemos como usar essa energia e distribuí-la para lares e empresas de toda a África. É porque investidores dessa área sempre veem obstáculos e riscos que os impedem de investir em energia limpa na África. Pouquíssimos projetos passam da fase inicial de planejamento. Portanto, embora todos os elementos estejam lá – recursos energéticos, tecnologia, know-how, alta demanda – os investimentos que reuniriam tudo isso ainda não se materializaram. Portanto, se pudermos remover alguns dos riscos e cobrir alguns dos custos da elaboração de projetos, acreditamos que podemos impulsionar novos e significativos investimentos privados em energia limpa. E essa é a ideia por trás da parceria que estamos anunciando hoje.

A Iniciativa de Financiamento de Energia Limpa EUA-África ajudará a dar início a projetos de energia limpa na África. Trata-se de uma parceria inovadora entre três entidades do governo dos Estados Unidos – o Departamento de Estado, a Opic e a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA. Queremos impulsionar os investimentos da iniciativa privada no setor energético. Planejamos usar uma verba inicial de US$ 20 milhões para alavancar fluxos muitos maiores de investimento da Opic. Isso abrirá a porta para centenas de milhões de dólares de financiamento da Opic, além de centenas de milhões de dólares do setor privado para projetos que de outra maneira nunca sairiam do papel.

Sabemos que uma pequena quantia para financiar o desenvolvimento de um projeto é quase sempre tudo o que se precisa para convencer o empreendedor, a empresa de energia, a corporação para irem adiante. Por exemplo, imaginem um desenvolvedor de energia solar no Sudão do Sul com um plano capaz de levar eletricidade para comunidades rurais, mas que não consegue chamar a atenção de grandes investidores sem uma dispendiosa avaliação de impacto ambiental que não tem como bancar. Uma das nossas novas verbas poderá ser suficiente para custear essa avaliação. Ou pensem em um investidor que quer construir uma fazenda eólica no Egito, mas não se comprometerá até ver avaliações do local e levantamentos do solo. Uma verba poderá cobrir o custo e significar a diferença entre prosseguir ou desistir.

Essa nova iniciativa é parte de uma investida abrangente dos Estados Unidos para tornar a energia limpa e a segurança energética pedras fundamentais da nossa política externa. No Departamento de Estado, criamos o Bureau de Recursos Energéticos, chefiado pelo embaixador Carlos Pascual, que está aqui hoje e que trabalha de perto com nosso Bureau do Meio Ambiente, chefiado por Kerri-Ann Jones, que também está aqui. E a Opic aumentou os investimentos em energia limpa de US$ 130 milhões para US$ 1,1 bilhão. E quero agradecer a presidente da Opic, Elizabeth Littlefield, por sua liderança. E ela vai falar mais para vocês sobre isso.

Esse esforço também reflete o compromisso dos Estados Unidos com a Iniciativa Energia Sustentável para Todos, da ONU, que busca dar a pessoas de todos os lugares acesso a energia limpa. Alcançar essa meta exigirá o investimento de dezenas de bilhões de dólares por ano durante os próximos 20 anos para ampliar nossa infraestrutura energética.

Quero falar um pouco sobre meu próprio país, porque acredito que muitas vezes as pessoas acham que de alguma forma tudo isso simplesmente aconteceu nos Estados Unidos ou em outros países com suprimentos de energia confiáveis. Em meu país, foi necessário apoio governamental, desde a década de 1930, para criar instituições que fornecessem exatamente o tipo de incentivos e garantias para levar eletricidade a áreas rurais dos Estados Unidos que citamos com relação à África. Creio que só terminamos de eletrificar a parte continental dos Estados Unidos em meados ou no fim da década de 1960. Portanto, foi um projeto de 30 a 40 anos. Mas ficamos firmes nele e continuamos a fazer os ajustes necessários – cooperativas elétricas rurais e outros tipos de incentivos e garantias.

Queremos levar essa experiência de parceria entre o governo e o setor privado para fazer as coisas funcionarem. E estamos convencidos de que isso fará uma diferença significativa. Contribuiremos com US$ 2 bilhões em recursos e autorizações que o Congresso disponibilizou no ano passado para apoiar programas e projetos de energia limpa em países em desenvolvimento. E acreditamos que isso alavancará muitos outros investimentos privados. O Bank of America anunciou que investirá US$ 50 bilhões em energia limpa na próxima década. E esperamos que outros países e instituições façam o mesmo. Nos próximos 20 anos, a infraestrutura de energia elétrica será um setor de US$ 10 trilhões. Façamos dela uma infraestrutura de energia limpa que será parte de nossas metas de energia sustentável e desenvolvimento sustentável resultantes desta conferência.

Podemos tornar isso realidade. E, ao fazer isso, podemos aprimorar nossas metas de sustentabilidade e ao mesmo tempo nossas oportunidades econômicas e melhorar a vida de dezenas de milhões de homens, mulheres e crianças. Estamos muito animados com esta parceria e especialmente satisfeitos e aguardando ansiosos para trabalhar junto com nossos parceiros africanos. E agradeço a todos os países que estão representados aqui, todas as empresas que espero se apresentarão e farão parte dessa parceria. E vou terminar dizendo ‘vamos trabalhar’, acredito que podemos chegar lá.

Muito obrigada a todos. (Aplausos.)