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Textos & Transcrições

Pronunciamento da secretária Hillary Clinton sobre “Como Criar uma Geração Livre da Aids”

10 de novembro de 2011

DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA
Escritório do Porta-Voz
8 de novembro de 2011

PRONUNCIAMENTO

Secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton
Pronunciamento sobre “Como Criar uma Geração Livre da Aids”
8 de novembro de 2011

Auditório Masur dos Institutos Nacionais de Saúde
Bethesda, Maryland

SECRETÁRIA HILLARY CLINTON: Obrigada. Muito obrigada. Obrigada. Para mim é um prazer muito especial estar aqui de volta aos NIH, conjunto de instituições que tanto admiro e que são tão fundamentalmente importantes não apenas para o nosso próprio país e para o futuro da Ciência aqui, mas, na verdade, para o mundo todo.

Quero começar agradecendo Francis Collins por sua liderança e pelo trabalho que tem realizado. Francis, lembro-me bem daqueles tempos que falávamos sobre as suas pesquisas e da extraordinária empolgação que elas suscitavam.

E quero agradecer ao Tony pelas palavras amáveis e também por sua liderança. Não é fácil falar depois de um dos 20 melhores funcionários federais de todos os tempos. (Risos.) Mas creio que a revista Government Executive disse bem – um reconhecimento brilhantemente merecido.

Quando cheguei aqui, vi alguns outros amigos: o dr. Harold Varmus, com quem tive o privilégio de trabalhar quando ele estava aqui nos NIH e, depois, em Nova York; a dra. Nora Volkow, que tem um trabalho tão importante; e também o dr. John Gallin.

Mas para mim este é um prazer especial, porque aqui nesta sala estão alguns dos melhores cientistas e dos ativistas mais fervorosos dos Estados Unidos, verdadeiros heróis e heroínas da saúde global, em uma instituição que está na linha de frente da luta contra o HIV/Aids.

Quero destacar algumas pessoas especiais que estão aqui hoje: embaixador Eric Goosby, nosso coordenador de atividades globais de combate à Aids e seu antecessor, Mark Dybul; Lois Quam, diretor-executivo da nossa Iniciativa de Saúde Global; dr. Tom Frieden, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças; o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibe; e outros que participam dos esforços de saúde global deste governo e das organizações multilaterais com as quais trabalhamos.

Quero também destacar duas pessoas que não puderam estar aqui conosco: em primeiro lugar, o administrador da USAID, dr. Raj Shah, que teve impacto tão positivo em nosso trabalho de saúde e desenvolvimento; e, em segundo lugar, tenho o prazer de anunciar nossa nova enviada especial. Nós adoramos enviados especiais no Departamento de Estado. (Risos.) Nossa nova enviada especial para Conscientização Global contra a Aids: Ellen DeGeneres. (Aplausos.) A Ellen trará não apenas seu senso de humor afiado e seu grande coração, mas seu imenso público da TV e mais de 8 milhões de seguidores no Twitter, para conscientizar sobre esse esforço e apoiá-lo. Sei que podemos contar com muitas contribuições da Ellen e dos seus fiéis fãs no mundo todo.

Muitos de vocês sabem porque estavam lá: a luta contra a Aids teve início há três décadas, em junho de 1981. Cientistas americanos relataram a primeira evidência de uma nova doença misteriosa. A doença estava matando homens jovens ao deixá-los vulneráveis a formas raras de pneumonia, câncer e outros problemas de saúde. No começo, os médicos não conheciam praticamente nada sobre essa doença. Hoje, após todos esses anos, temos muito conhecimento.

Conhecemos, é claro, seu impacto terrível. A Aids matou 30 milhões de pessoas no mundo todo, e 34 milhões de pessoas vivem atualmente com HIV. Na África Subsaariana — onde 60% das pessoas com HIV são mulheres e meninas — a doença deixou uma geração de crianças crescer sem mãe, pai ou professores. Em algumas comunidades, o único setor que cresceu foi o funerário.

Trinta anos depois, sabemos muito também sobre o próprio vírus. Sabemos como ele se dissemina, como passa por constantes mutações no corpo e como se esconde do sistema imunológico. E soubemos aproveitar esse conhecimento — desenvolvendo formas engenhosas de evitar a transmissão do vírus e dezenas de medicamentos que mantêm milhões de pessoas vivas. No entanto, a Aids ainda é uma doença incurável, mas deixou de ser uma sentença de morte.

Por fim, após 30 anos, conhecemos muito sobre nós mesmos. A pior praga do nosso tempo trouxe à tona o melhor das qualidades humanas. No mundo inteiro, governos, empresas, comunidades religiosas, ativistas, indivíduos de todas os setores sociais se uniram, dedicando seu tempo, seu dinheiro — além da mente e do coração — para combater a Aids.

Embora os últimos 30 anos tenham sido uma jornada extraordinária, temos ainda um longo e difícil caminho pela frente. Mas, hoje, graças aos novos conhecimentos e às novas formas de aplicá-los, temos a oportunidade de dar uma vida e um futuro a milhões de pessoas que estão vivas atualmente, mas do mesmo modo, se não profundamente mais importante, a toda uma geração que ainda vai nascer.

Hoje, quero falar com vocês sobre como chegamos a este momento histórico e o que o mundo pode e deve fazer agora para derrotar a Aids.

Desde o início, a luta contra o HIV/Aids tem sido um esforço global. Mas, na história dessa luta, o nome dos Estados Unidos surge com frequência. Nas últimas semanas, falei sobre vários aspectos da liderança americana, da criação de oportunidades econômicas à preservação da paz e à defesa da democracia e da liberdade. Pois bem, nossos esforços em matéria de saúde global constituem outro sólido pilar da nossa liderança. Nossos esforços fazem avançar nossos interesses nacionais. Eles ajudam a dar mais estabilidade a outros países e mais segurança aos Estados Unidos. E são uma expressão dos nossos valores — de quem somos como povo. E geram imensa boa vontade.

Em um momento em que as pessoas questionam o papel dos Estados Unidos no mundo, nossa liderança em saúde global lhes faz lembrar de quem somos e do que fazemos, que somos a nação que fez mais que qualquer outro país na História para salvar a vida de milhões de pessoas além das nossas fronteiras.

Nossos esforços devem começar com os americanos: desde as pessoas que vivem com a doença, aos pesquisadores nos centros médicos acadêmicos; a doadores individuais, empresas e fundações; e aos filantropos – dois dos meus preferidos, a Fundação Clinton – (risos) – que colaborou para baratear o tratamento apoiando formas inovadoras de produzir e comprar medicamentos; a Fundação Bill e Melinda Gates, que financiou pesquisas revolucionárias.

Mas não vamos esquecer que nenhuma instituição do mundo fez mais que o governo dos Estados Unidos. (Aplausos.) Produzimos um histórico de excelência na Ciência. Pesquisadores daqui mesmo dos NIH realizaram pesquisas essenciais que identificaram o HIV e provaram que ele realmente causava a Aids. O primeiro medicamento para tratar a Aids foi financiado pelos Estados Unidos. Hoje estamos fazendo importantes investimentos na busca de uma vacina; de ferramentas como microbicidas, que dão às mulheres o poder de se proteger; e de outras inovações que salvam vidas.

Junto com nossos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento, os Estados Unidos lideraram um esforço global para que esses avanços contribuam para salvar vidas. Quando o meu marido foi presidente, ele indicou o primeiro czar da luta contra a Aids dos Estados Unidos e mais que triplicou os investimentos em prevenção e tratamento da Aids no mundo todo. Em 2003, o presidente Bush, com forte apoio bipartidário no Congresso, tomou uma decisão fundamental ao lançar o Plano de Emergência do Presidente para Combate à Aids, ou Pepfar.

Naquela época, somente 50 mil pessoas na África Subsaariana estavam recebendo os medicamentos antirretrovirais que as manteriam vivas. Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas estão medicadas nessa região, e mais de 1 milhão em outras regiões do mundo, sendo que a vasta maioria recebe remédios financiados pelo Pepfar ou pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, que os Estados Unidos ajudaram a criar.

E o impacto do Pepfar vai muito além da Aids. O plano expandiu os esforços da Organização Mundial de Saúde para tratar e prevenir a tuberculose, principal causa de morte entre as pessoas com Aids. O Pepfar também ajudou a construir novas clínicas nos países parceiros que cuidam dos pacientes não apenas com relação ao HIV/Aids, mas tratam de malária, imunizações e muito mais. Para montar o quadro de pessoal dessas clínicas, ajudamos a capacitar um novo contingente de profissionais de saúde que estão tornando o seu país mais autossuficiente. Em alguns países, os mesmos caminhões que entregam medicamentos para Aids agora entregam mosquiteiros para prevenir a malária.

Por todas essas razões, o Pepfar é uma das plataformas sólidas sobre a qual o governo Obama está montando nossa Iniciativa de Saúde Global, que financia clínicas one-stop que oferecem uma gama completa e integrada de serviços de saúde, ao mesmo tempo reduzindo custos, além de aumentar o impacto e salvar mais vidas. Digo tudo isso porque quero que a população americana entenda o papel insubstituível desempenhado pelos Estados Unidos na luta contra o HIV/Aids. Foi com dinheiro dos impostos pagos pela população, com o nosso dinheiro, que isso foi possível, e precisamos dar continuidade.

Para ser exata, fizemos isso com parcerias cada vez mais amplas com outros governos, instituições multilaterais, organizações de implementação, o setor privado, grupos da sociedade civil, especialmente aqueles liderados por pessoas portadoras do vírus. Mas o mundo jamais chegaria tão longe sem nós e não derrotará a Aids sem nós.

E mais, nossos esforços ajudaram a preparar o caminho para uma oportunidade histórica, uma oportunidade que está hoje diante do mundo: de mudar o curso dessa pandemia e dar lugar a uma geração livre da Aids.

Por uma geração livre da Aids, quero dizer: uma geração na qual, em primeiro lugar, praticamente nenhuma criança nasça com o vírus; segundo, quando essas crianças se tornarem adolescentes e adultos, os riscos de infecção sejam muito menores do que hoje graças a uma ampla gama de ferramentas de prevenção; e, terceiro, se forem infectados pelo HIV, tenham acesso a tratamento que os ajude a evitar o desenvolvimento da Aids e a passar o vírus para outras pessoas.

Bem, o HIV pode continuar entre nós ainda por muito tempo. Mas a doença causada por ele, não. Admito que é uma meta ambiciosa e reconheço que não sou a primeira pessoa fazer essa previsão. Mas criar uma geração livre da Aids nunca foi uma política prioritária para o governo dos Estados Unidos até hoje, porque essa meta seria inimaginável poucos anos atrás. Hoje, no entanto, isso é possível graças aos avanços científicos financiados em grande parte pelos Estados Unidos e às novas práticas implementadas por este governo e por nossos vários parceiros. Embora a linha de chegada ainda não esteja à vista, sabemos que podemos chegar lá, porque agora sabemos o caminho que devemos seguir. Por esse caminho, todos nós devemos pôr em prática uma variedade de ferramentas de prevenção comprovadas cientificamente de forma coordenada uns com os outros. Assim como os médicos falam em tratamento combinado – prescrevendo mais de um medicamento por vez – todos nós devemos pôr em prática a prevenção combinada.

A estratégia de prevenção combinada dos Estados Unidos se concentra em um conjunto de intervenções de eficácia comprovada – acabar com a transmissão de mãe para filho, expandir a circuncisão médica masculina voluntária e intensificar o tratamento para as pessoas com HIV/Aids. É claro que intervenções como essas não surtem efeito isoladamente. Elas funcionam melhor quando combinadas com preservativos, aconselhamento e testes, além de outras intervenções preventivas eficazes. E dependem de sistemas e pessoal eficientes, inclusive de agentes comunitários de saúde capacitados. Elas dependem de mudanças institucionais e sociais, tais como: fim do estigma; redução da discriminação contra mulheres e meninas; fim da violência e exploração baseadas em gênero, que continuam a deixar mulheres e meninas sujeitas a maior risco de infecção por HIV; e revogação de leis que criminalizam pessoas simplesmente devido à orientação sexual.

Mesmo reconhecendo todos esses elementos cruciais, hoje quero me concentrar em três intervenções centrais que podem possibilitar uma próxima geração livre da Aids. Primeira, a prevenção da transmissão de mãe para filho. Atualmente, uma em cada sete novas infecções ocorre quando a mãe passa o vírus para o filho. Podemos zerar esse tipo de infecção. Eu sempre falo em zerar; meu redator de discurso sempre fala em “praticamente zerar”. (Risos, aplausos.) E podemos também salvar a vida de mães.

Em junho, visitei o Centro de Saúde de Buguruni, na Tanzânia, e lá encontrei uma mulher portadora de HIV que havia recentemente dado à luz um menino. Ela frequentou a clínica durante toda a gravidez para receber medicamento e informações, porque desejava desesperadamente que seu filho começasse a vida com saúde e, mais especificamente, queria que ele nascesse sem o vírus. Quando nós nos encontramos, ela tinha acabado de receber a melhor notícia que poderia esperar. Seu filho não tinha o vírus. E, graças ao tratamento que recebeu na clínica, ela vai viver para vê-lo crescer.

É isso o que a liderança americana e a responsabilidade compartilhada podem conquistar para todas as mães e crianças. O mundo já tem as ferramentas e os conhecimentos necessários. Somente no ano passado, o Pepfar ajudou a evitar que 114 mil bebês nascessem com HIV. Mas temos também um caminho pela frente. O Pepfar e o UNAIDS reuniram importantes parceiros para lançar um plano global para eliminar novas infecções entre crianças até 2015. E continuamos a integrar esforços de prevenção e tratamento com programas de saúde mais abrangentes, que não só previnem infecções por HIV, mas também mantêm as crianças saudáveis e ajudam as mães a dar à luz com segurança.

Além da prevenção da transmissão de mãe para filho, uma estratégia eficaz de prevenção combinada tem de incluir a circuncisão médica masculina voluntária. Nos últimos anos, as pesquisas comprovaram que esse procedimento de baixo custo reduz o risco de transmissão da mulher para o homem em mais de 60%, e que o benefício é para a vida toda.

Desde 2007, cerca de 1 milhão de homens em todo o mundo foram circuncidados para prevenção do HIV. Três quartos desses procedimentos foram financiados pelo Pepfar. Somente no Quênia e na Tanzânia, durante campanhas especiais, médicos realizam mais de 35 mil circuncisões por mês.

Na luta contra a Aids, a intervenção ideal é aquela que, em primeiro lugar, evita que as pessoas sejam infectadas, e os dois métodos que descrevi – transmissão de mãe para filho, circuncisão médica masculina voluntária – são as intervenções com a melhor relação custo-benefício que temos, e elas estão sendo intensificadas. Mas mesmo quando as pessoas tornam-se HIV positivas, ainda é possível fazer com que seja bem menos provável que transmitam o vírus para terceiros, tratando-as com os medicamentos antirretrovirais. Portanto, esse é o terceiro elemento da prevenção combinada que quero mencionar.

Graças à pesquisa financiada pelo governo dos EUA publicada há apenas alguns meses, agora sabemos que se uma pessoa que vive com HIV for tratada de modo eficaz, o risco de transmissão para o parceiro diminui 96%.

É claro que nem todo mundo toma a medicação exatamente como prescrita e algumas pessoas podem não conseguir o nível máximo de proteção. Mas, mesmo assim, esse novo financiamento terá profundo impacto na luta contra a Aids.

Durante anos, alguns temeram que a intensificação do tratamento reduziria os esforços de prevenção. Hoje sabemos, sem sombra de dúvida, que se tivermos uma visão abrangente da nossa abordagem à pandemia, o tratamento não reduz a prevenção. Ele contribui para a prevenção. Portanto, vamos acabar com o velho debate sobre tratamento versus prevenção e adotar o tratamento como prevenção.

Não há dúvida de que a intensificação do tratamento sai caro. Mas graças a custos mais baixos dos medicamentos, compras em grandes quantidades e mudanças simples como o envio da medicação por terra em vez de por ar, nós e nossos parceiros estamos reduzindo o custo do tratamento. Em 2004, o custo para o Pepfar fornecer medicamentos antirretrovirais e serviços a um paciente era em média de US$ 1.100 por ano. Hoje, é de US$ 335 e está diminuindo. Continuar a baixar esses custos é um desafio para todos nós, de doadores e países em desenvolvimento a instituições como o Fundo Global.

Tratar pessoas HIV positivas antes de ficarem doentes também traz benefícios econômicos indiretos. Isso permite que elas trabalhem, sustentem a família, contribuam para suas comunidades. Evita custos sociais, como o cuidado de órfãos cujos pais morrem de doenças relacionadas com a Aids. Estudo publicado no mês passado ponderou custos e benefícios e constatou que – eu cito – “os benefícios econômicos do tratamento compensarão de modo substancial, e provavelmente ultrapassarão, os custos do programa em dez anos de investimento”. Em outras palavras, tratar as pessoas não somente salvará vidas, mas também gerará retornos econômicos consideráveis.

Algumas pessoas têm preocupações com relação ao tratamento como prevenção. Elas argumentam que muitas pessoas transmitem o vírus para terceiros logo após terem se infectado, mas antes de terem começado o tratamento. Trata-se de uma preocupação legítima, e estamos estudando maneiras de identificar as pessoas o mais cedo possível após a transmissão e ajudá-las a evitar uma disseminação ainda maior do vírus. Mas para reduzir a pandemia de modo significativo, não precisamos ser capazes de identificar e tratar todas as pessoas assim que se tornam HIV positivas. Em lugares onde a pandemia está muito estabelecida, como na maioria dos países da África Subsaariana, a maior parte das transmissões não é feita por pessoas recém-infectadas, mas por pessoas que foram infectadas pelo HIV há muito tempo e que precisam de tratamento imediato ou em breve precisarão. Já temos os testes que precisamos para identificar essas pessoas. Se elas receberem e mantiverem o tratamento, sua saúde melhorará expressivamente, e haverá muito menos probabilidade de transmitirem o vírus para seus parceiros.

Agora, permitam-me ser clara: nenhuma das intervenções que descrevi pode por si só criar uma geração livre da Aids. Mas, em combinação umas com as outras e com outros métodos poderosos de prevenção, apresentam de fato uma oportunidade extraordinária. Atualmente, é maior o número de pessoas infectadas todos os anos do que o de pessoas que iniciam o tratamento. Podemos reverter essa tendência. Modelos matemáticos mostram que a intensificação da prevenção combinada para níveis realistas em países com alta prevalência reduziria o índice mundial de novas infecções entre pelo menos 40% e 60%. Isso além da redução de 25% já registrada na última década.

À medida que o mundo intensifica os métodos de prevenção mais eficazes, o número de novas infecções cairá, e será possível tratar um número maior de pessoas do que o número de pessoas infectadas a cada ano. E, portanto, em vez de ficar para trás ano após ano, vamos, pela primeira vez, ficar à frente da pandemia. Estaremos a caminho de uma geração livre da Aids. Esse é o verdadeiro poder da prevenção combinada.

Mas o sucesso não é inevitável, nem será fácil. Os níveis de cobertura para muitas dessas intervenções são inaceitavelmente baixos. E sabemos por experiência que, para intensificá-las, temos de ser capazes de realizá-las não apenas em hospitais, mas em clínicas localizadas em comunidades de todos os tamanhos e formatos. Se vamos aproveitar o máximo deste momento, há medidas que precisamos adotar juntos.

Primeiro, precisamos deixar que a Ciência guie nossos esforços. O sucesso depende de empregar nossas ferramentas com base nas melhores evidências disponíveis. Agora, sei que ocasionalmente parece que em Washington e vizinhanças há quem queira que a gente viva em uma zona sem evidências. (Risos.) Mas é imperativo – (aplausos) – defendermos evidências e a Ciência. Fatos são coisas teimosas, e precisamos continuar a demonstrá-los, mesmo que, no curto prazo, venham a ser refutados. No fim, prevaleceremos.

Por meio do Pepfar e de todo o governo, os Estados Unidos estão fazendo uso de resultados comprovados cientificamente para embasar nossas políticas, o que resulta em mudança real nos programas in loco e maximiza o impacto dos nossos investimentos. Por exemplo, precisamos de mais pesquisa para identificar as maneiras mais eficazes de combinar essas intervenções em diferentes contextos. Sabemos que o HIV é uma pandemia complexa que varia de país para país, distrito para distrito, das áreas urbanas para as rurais. Ocorre o mesmo no nosso país. A prevenção combinada precisa refletir essa complexidade. Que combinações são mais eficazes em áreas onde o vírus está concentrado em populações especialmente vulneráveis? E o que dizer dos lugares onde está mais disseminado na população em geral?

Estamos trabalhando para responder essas questões. Recentemente concedemos mais de US$ 50 milhões a três das principais instituições acadêmicas do mundo para o desenvolvimento de estudos rigorosos que testam o que funciona em vários cenários. Hoje, tenho o prazer de anunciar que estamos intensificando nossos esforços. Os Estados Unidos, por meio do Pepfar, empenharão mais US$ 60 milhões para rapidamente intensificar a prevenção combinada em regiões de quatro países da África Subsaariana e para mensurar o impacto com rigor.

Os resultados terão implicações para todos os países onde trabalhamos e também para nossos parceiros. Eles ajudarão a garantir que estamos traduzindo a Ciência em serviços com o máximo de impacto e nos permitirão dar passos maiores juntos em nossa marcha em direção a uma geração livre da Aids. Quero desafiar outros doadores a se juntarem a nós nesse esforço. Arregacem as mangas e encontrem países parceiros que trabalharão com vocês para testar as combinações de ferramentas mais eficazes. Intensifiquem o apoio para tratar o máximo de pessoas possível. Avaliem o impacto e compartilhem os resultados, para que possamos todos aprender uns com os outros.

A segunda medida é insistir com mais ênfase para que os países assumam a responsabilidade pelos seus próprios programas de combate ao HIV/Aids. Isso é prioridade para os Estados Unidos. Sabemos que não podemos criar uma geração livre da Aids ditando soluções de Washington. Nossos parceiros fora dos EUA – incluindo governos, ONGs e organizações religiosas – precisam assumir a responsabilidade por sua resposta nacional e liderá-la. Portanto, estamos trabalhando com ministérios da Saúde e organizações locais a fim de fortalecer seus sistemas de saúde para que possam enfrentar uma gama ainda mais ampla de problemas de saúde.

Assumir a responsabilidade pelos programas também significa que mais países parceiros precisam participar mais do financiamento da luta contra o HIV/Aids dentro de suas fronteiras. Alguns países permitiram que o dinheiro de doadores externos substituísse seus próprios investimentos em programas de saúde; ‘bem, se o Pepfar ou o Fundo Global ou outro doador vai nos dar dinheiro para a saúde, podemos simplesmente pegar o dinheiro da saúde e construir mais estradas’. Isso tem de mudar e temos de exigir que isso mude. Mais países precisam seguir o exemplo de África do Sul, Nigéria, Senegal, Ruanda, Zâmbia e outros que estão empenhando maiores parcelas de seus próprios orçamentos para combater o HIV/Aids.

Por fim, estamos convocando outras nações doadoras a fazer sua parte, inclusive apoiando e fortalecendo o Fundo Global. Considerem apenas um exemplo do que o Fundo Global já fez. Em 2004, praticamente nenhuma das pessoas no Maláui que se qualificavam para receber o tratamento de fato o recebeu. No ano passado, com a ajuda significativa do Fundo Global, quase metade recebeu tratamento.

Esse tipo de avanço merece o nosso apoio. Os Estados Unidos são o maior colaborador individual do Fundo, e o governo Obama fez a primeira contribuição plurianual do nosso país a essa instituição. Alguns doadores estão, infelizmente, considerando reduzir suas contribuições. Algumas potências e nações emergentes ricas em recursos naturais têm condições de contribuir, mas decidem não fazê-lo. Ficar de fora desse processo agora seria devastador. Custaria vidas, e perderíamos essa oportunidade sem precedentes. Quando tantas pessoas estão sofrendo, e temos os meios de ajudá-las, temos a obrigação de fazer o que pudermos.

E, por sua parte, o Fundo Global tem suas próprias responsabilidades a cumprir. Os Estados Unidos apoiaram reformas no Fundo para garantir que seus recursos cheguem àqueles que necessitam e que estejam focados em soluções com boa relação custo-benefício baseadas em evidências. O Fundo está realizando várias auditorias e investigações que trouxeram à tona relatos de fraude e corrupção. É responsabilidade do Fundo averiguar esses abusos e erradicá-los o mais rápido possível.

Mas, vamos nos lembrar, revelar problemas é exatamente o que a transparência deve fazer. Isso significa que o processo está funcionando. Portanto, não vamos colocar o Fundo Global em nenhuma situação sem saída. Sejam transparentes, prestem contas e, se descobrirem problemas, vamos tirar o dinheiro de vocês. Desde o início, o Congresso dos Estados Unidos insistiu para que nossas contribuições ao Fundo Global financiem programas que prestem contas e que produzam resultados mensuráveis. E, pela minha experiência, posso dizer que o povo americano fica feliz em apoiar programas que salvam vidas se souber que eles realmente funcionam. E é assim que mostramos esses programas.

A meta de uma geração livre da Aids pode ser ambiciosa, mas é possível com o conhecimento e as intervenções que temos agora. E isso é algo que nunca tivemos condições de dizer antes. Imaginem como o mundo será quando formos vitoriosos. Imaginem enfermarias de Aids, que antes trabalharam muito além de sua capacidade, transformando-se em ambulatórios para cuidar de pessoas com problemas administráveis, crianças que talvez tenham ficado órfãs e depois traficadas ou recrutadas como crianças-soldados crescendo com a esperança de um futuro melhor, comunidades onde o desespero antes reinava agora alimentadas pelo otimismo, países que possam fazer o máximo do potencial dado por Deus a cada pessoa. Esse é o mundo que sempre esteve no âmago da crença americana e pelo qual trabalhamos em toda a nossa história. Esse é o mundo que acredito todos nós gostaríamos de viver. Uma geração livre da Aids seria um dos maiores presentes que os Estados Unidos poderiam dar para nosso futuro coletivo.

Muito do que faremos dependerá das pessoas nesta sala e de centenas de milhares de pessoas como vocês – pesquisadores e cientistas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde pública, agentes comunitários de saúde, financiadores e doadores, autoridades governamentais, líderes empresariais, filantropos, comunidades religiosas que se uniram nessa forma extraordinária para combater essa doença.

Assim, termino onde comecei. Fizemos muitos progressos juntos nos últimos 30 anos. Não foi fácil. Não foi sem controvérsias. Mas foi constante, e perseveramos como nação. Nesse momento de dificuldades orçamentárias, temos de nos lembrar que investir em nosso futuro é o investimento mais inteligente que podemos fazer. E gerações de legisladores e contribuintes americanos apoiaram os Institutos Nacionais de Saúde, as pesquisas médicas, o trabalho científico, não porque achávamos que tudo fosse produzir resultado imediato, mas porque acreditamos que por meio desses investimentos, o progresso humano continuaria firme e forte.

Não vamos parar agora. Vamos nos manter focados no futuro. E um futuro que espero sejamos capazes de alcançar é o de uma geração livre da Aids. Muito obrigada a todos. (Aplausos.)

(Distribuído pelo Bureau de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA. Site: http://iipdigital.usembassy.gov/iipdigital-pt/index.html)