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Folhetos

O sonho continua vivo, o trabalho continua

02 de agosto de 2013

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Foi um discurso que o mundo não pode esquecer. Em 28 de agosto de 1963, cerca de 250 mil pessoas marcharam até o Memorial de Lincoln, em Washington, onde ouviram Martin Luther King Jr. fazer um discurso destinado a ressoar pelos séculos.

No que se tornou conhecido como o discurso “Eu Tenho um Sonho”, Luther King deu voz apaixonada às demandas do Movimento pelos Direitos Civis dos EUA — direitos iguais para todos os cidadãos, independentemente de sua cor da pele.

Alguns historiadores defendem que o discurso de Luther King, proferido em uma das maiores manifestações pelos direitos civis da História dos EUA, foi um daqueles raros momentos que mudam uma nação — abrindo caminho para a transformação das leis e da vida no país.

“Foi um dia muito pacífico. Um mar de rostos brancos e negros cobriu o National Mall”, escreveu em 2005 a falecida Dorothy Height, presidente emérita do Conselho Nacional das Mulheres Negras (NCNW). Dorothy, uma das organizadoras da marcha, sentou-se atrás de Luther King na tribuna. “Acho que foi um momento decisivo não apenas na história dos direitos civis dos EUA, mas também na História americana. Resultou em uma nova determinação em direção a igualdade, liberdade e mais emprego para pessoas de cor.”

Segundo Dorothy, “a importância real da marcha, e do discurso, foi ter mudado atitudes. A justa indignação contra a discriminação racial tornou-se generalizada depois da marcha. Resultou em uma época cheia de promessas e conquistas. Era possível sentir isso.”

Menos de um ano depois da marcha, o presidente Lyndon Johnson sancionou a Lei de Direitos Civis de 1964, que proibiu a discriminação em estabelecimentos públicos, como hotéis e restaurantes, e também proibiu a discriminação no emprego. No ano seguinte, a aprovação da Lei do Direito ao Voto garantiu aos afro-americanos exercer livremente seu direito de voto.

Em 1968, a Lei de Direito à Moradia buscou acabar com a discriminação na compra e no aluguel de imóveis. A legislação foi complementada por novas políticas, como ações afirmativas, destinadas a combater o legado da discriminação.

As mudanças legais abrangentes pareceram abruptas para alguns americanos, e comunidades dos EUA relutaram para acompanhá-las. Em pesquisa de 1963 da revista Newsweek, 74% dos brancos disseram que a integração racial estava “indo rápido demais”, opinião que parece chocante nos dias de hoje quando as posições são bastante diferentes. Em 2000, pesquisa do jornal New York Times informou que 93% dos brancos disseram que votariam em um candidato a presidente negro qualificado. Mais de 60% aprovaram o casamento inter-racial. E 80% disseram não se importar se seus vizinhos são brancos ou negros.

O sonho de Luther King expresso na Marcha para Washington hoje faz parte da corrente política dominante dos EUA. O dia de seu aniversário é feriado nacional em que os americanos homenageiam suas ideias e sua memória. Seu legado é comemorado com um memorial na capital da nação, perto dos memoriais dedicados a Abraham Lincoln, Thomas Jefferson e Franklin Delano Roosevelt.

O sonho de igualdade racial e a luta por justiça de Luther King transcenderam as fronteiras dos EUA. Ele viajou o mundo proclamando sua visão da “comunidade amada” e definindo o racismo como um mal mundial. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964.

Em seu livro de 1967, Where Do We Go From Here: Chaos or Community?, Luther King afirmou que, “entre os imperativos morais do nosso tempo, somos desafiados a trabalhar no mundo todo com determinação inabalável para varrer os últimos vestígios do racismo.(…) O racismo não é um mero fenômeno americano. Seu alcance vicioso não conhece fronteiras geográficas”.

Mesmo no dia de seu discurso “Eu Tenho um Sonho”, quando estava se dirigindo aos americanos em particular, Luther King estava ciente do impacto mundial da marcha e de sua mensagem. “Quando a televisão transmitiu a imagem deste encontro extraordinário pelas fronteiras e oceanos”, disse, “todos que acreditavam na capacidade do homem de melhorar tiveram um momento de inspiração e confiança no futuro da raça humana”.

A importância universal dos eventos de 28 de agosto de 1963 foi ressaltada por Dorothy Height. “Em todos os lugares do mundo em que estive nestes últimos 40 anos, é incrível para mim o quanto as pessoas sabem sobre o Movimento pelos Direitos Civis e sobre Luther King — muitas vezes em detalhes muito específicos. O mundo estava nos assistindo naquele dia”, ela diz. “A marcha tocou o mundo assim como os Estados Unidos.”