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Kerry: Amigos da Síria buscam conferência de paz em novembro

Por Merle David Kellerhals Jr. | Redator | 24 de outubro de 2013
John Kerry gesticula (AP Images)

O secretário de Estado, John Kerry, conversa com jornalistas em 22 de outubro sobre as negociações do conflito civil na Síria

Washington — O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, diz ter esperanças de que novas negociações possam ter início em Genebra em novembro para resolver a guerra civil síria de dois anos e meio e resultar em um governo de transição.

Diplomatas de 11 nações do Ocidente e do Oriente Médio — membros do grupo Amigos da Síria — reuniram-se durante dois dias em Londres para elaborar planos para uma conferência de paz e também incentivar grupos da oposição a participar de uma solução negociada. A conferência foi promovida pelo secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague.

“Estamos aqui em Londres (…) para reafirmar o forte compromisso da comunidade internacional em tentar pôr fim ao derramamento de sangue na Síria e tentar levar estabilidade àquele país devastado pela guerra, fornecendo proteção e, enfim, a oportunidade para milhões de refugiados e deslocados regressarem ao seu país”, disse Kerry em 22 de outubro em coletiva de imprensa realizada em Londres.

As 11 nações, conhecidas como Londres 11, divulgaram um comunicado oficial depois do encontro, saudando o acordo de 27 de setembro do Conselho de Segurança da ONU sobre a necessidade urgente de uma transição política na Síria e seu endosso à formação de um governo de transição. O governo de transição teria plenos poderes executivos, inclusive autoridade sobre as estruturas de segurança, militares e de inteligência.

Kerry disse que os ministros reforçaram o compromisso de convocar uma conferência em Genebra com o objetivo específico de implementar um plano anterior, de junho de 2012, para criar um governo de transição. O secretário acrescentou que representantes das 11 nações concordaram em coordenar a assistência à oposição, inclusive à Coalizão de Oposição Síria — “o representante legítimo do povo sírio”.

Segundo Kerry, todos que participaram do encontro em Londres concordaram que é imperativo tentar negociar e trabalhar para salvar vidas e salvar a existência do Estado da Síria.

“A única alternativa a uma solução negociada é a continuação, senão o aumento, das mortes”, disse Kerry aos jornalistas. “Trata-se de uma tragédia, e neste momento é uma das maiores tragédias da face deste planeta e merece o foco e a atenção de todos nós para tentar pôr fim a essa situação.”

Uma das principais preocupações da comunidade internacional é que a continuação do conflito poderá resultar na implosão da Síria, declarou Kerry, o que contribuiria para o aumento dos grupos extremistas e mais sofrimento para os refugiados que fogem do conflito.

“Desestabilizaria ainda mais a região e acabaria resultando na desintegração do Estado sírio”, afirmou Kerry. “Tudo isso faz desse desafio um desafio global, um desafio internacional de imensas proporções.”

Kerry disse que o comunicado de Genebra de 2012 pedindo por um governo de transição é mais do que um pedaço de papel — é um plano de paz que leva a um novo futuro destinado a acabar com o derramamento de sangue e responder à ampliação da crise humanitária criada pelo conflito.

Kerry disse que a meta é encontrar pessoas que seriam aceitas pelos dois lados desse conflito civil, que teriam o respeito do povo sírio e teriam condições de administrar um governo de transição que permita ao povo da Síria determinar seu futuro. O regime do presidente Bashar al-Assad perdeu toda a legitimidade e toda a capacidade de governar o país, acrescentou o secretário.

Com base em estimativas das Nações Unidas, mais de 100 mil pessoas foram mortas no conflito, entre elas quase 1.500 civis sírios mortos em um ataque com armas químicas.

O grupo Londres 11 inclui representantes de Alemanha, Arábia Saudita, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Jordânia e Turquia.