DCSIMG
Skip Global Navigation to Main Content
Artigos

Dezesseis países africanos reúnem-se em conferência de planeamento de pandemia

13 de setembro de 2012
Grupo caminha em direção à máquina fotográfica (DoD)

Delegados que participam na conferência do Programa de Resposta a Pandemias do Comando Africano dos EUA em Acra, Gana, preparam-se para a cerimónia de abertura.

Este artigo foi inicialmente publicado no website do Comando Africano dos EUA.

Acra, Gana – Representantes de 16 países africanos e dos Estados Unidos, incluindo altos funcionários do governo, profissionais da saúde pública e militares, reuniram-se de 27 a 31 de agosto no Centro Internacional Kofi Annan de Formação em Manutenção da Paz em Acra, Gana, na maior conferência de planeamento de uma pandemia jamais realizada em países africanos.

O vice-marechal do ar Christian Edem Kobla Dovlo, comandante do Centro Kofi Annan, deu as boas-vindas a 175 participantes na conferência “Passado, Presente e Futuro” do Programa de Resposta a Pandemias, que foi coorganizada pelo governo do Gana e pelo Comando Africano dos EUA (Africom).

“Para os que trabalham na agenda de paz, segurança e desenvolvimento”, disse Dovlo, “todos nós estamos dolorosa e totalmente conscientes de que uma pandemia mundial tem maior potencial de afetar a morbilidade e mortalidade da população do que qualquer outra ameaça à saúde pública e, assim, pode perturbar a sociedade em múltiplos níveis”.

O reverendo Nii Amoo Darku, um membro do Conselho de Estado do Gana e presidente da Plataforma Nacional para Redução de Risco de Catástrofes/ Gestão de Risco de Alterações Climáticas, disse aos delegados africanos que “como líderes dos nossos países em África, as nossas ações devem reforçar a prevenção de catástrofes para que não destruam os nossos povos e devem reduzir o impacto de catástrofes que possam atingir os nossos países respetivos e restaurar a esperança de continuação de uma vida sustentável”.

Ele acrescentou, “Esqueçam as fronteiras de modo a reforçarem as capacidades regionais através da promoção e criação de sinergias para estarem preparados, responderem e recuperarem de catástrofes como de uma pandemia grave”.

O Comando Africano dos EUA pretende promover a estabilidade nesta área de responsabilidade através de parcerias estratégicas fortes e duradouras e de programas contínuos e eficazes de cooperação na área da segurança, como o Programa de Resposta a Pandemias, disse o general de brigada Charles Chiarotti, diretor adjunto da Direção de Estratégias, Plano e Programas do Africom.

“As pandemias mundiais não são simplesmente uma questão de saúde, social ou económica, mas são também uma preocupação em termos de segurança nacional” declarou Chiarotti. “A nível regional, também têm implicações estratégicas. Vontade e liderança política são os dois elementos principais essenciais para planear, preparar e responder de modo a reduzir e recuperar de pandemias graves que ultrapassam as capacidades do Ministério da Saúde de um país”.

Segundo Michael Hryshchyshyn, chefe das Atividades Humanitárias e Sanitárias, a conferência foi o culminar da primeira geração do Programa de Resposta a Pandemias (PRP). Introduzido pelo Comando Africano dos EUA em 2009, o PRP foi concebido para melhorar a capacidade dos países africanos de responderem a uma grave pandemia mundial de gripe.

Nos últimos três anos, o Africom colaborou com 18 países parceiros e realizou exercícios de simulação de pandemias. O comando ajudou na formulação de 10 planos de contingência militares nacionais de resposta a pandemias e de dois planos de contingência civis nacionais de resposta a pandemias.

Nesta conferência, os participantes tiveram reuniões específicas por país para reverem esforços passados a fim de se prepararem para uma pandemia mundial grave de gripe, avaliarem o seu nível atual de preparação e formularem planos para resolver deficiências e guiar esforços futuros. Estes planos nacionais foram depois apresentados aos seus vizinhos regionais, proporcionando uma oportunidade de partilhar ideias.

Nas sessões regionais, os participantes discutiram a criação de uma capacidade técnica regional de gestão de catástrofes e o desenvolvimento de stocks regionais de equipamento e material de resposta a catástrofes de modo a complementarem os stocks nacionais. Também elaboraram planos de trabalho para cada região.

Segundo os organizadores da conferência, estas sessões constituíram a primeira elaboração conhecida de planos de trabalho regionais para resolver os problemas de uma eventual pandemia mundial grave. Segundo do Dr. Daniel Eklu, diretor dos Assuntos Humanitários e Sociais da Comissão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental, as sessões regionais “foram muito importantes porque proporcionaram uma oportunidade de melhor integração dos esforços de preparação para uma pandemia nacional e de criar sinergias entre os países vizinhos, algo que é muito útil”.

Os recursos do PRP serão atribuídos para apoiar a implementação dos planos de trabalho elaborados por países parceiros e grupos regionais, depois de uma análise pelo Comando Africano dos EUA e pelo Centro Americano para Catástrofes e Medicina de Assistência Humanitária.

Durante o discurso de encerramento, o general de brigada Benjamin F. Kusi, comandante adjunto do Centro Kofi Annan, falou acerca da importância da cooperação entre líderes militares e civis, organizações internacionais e não governamentais e outras agências na redução e recuperação de uma pandemia.

As últimas apresentações deram informações sobre o futuro do Programa de Resposta a Pandemias, que recentemente recebeu financiamento do governo americano da Agência de Cooperação para a Segurança da Defesa a fim de expandir as suas atividades.

“O enfoque do PRP nos próximos anos será o desenvolvimento contínuo de um programa de formação e exercício de gestão de pandemias e catástrofes e o aumento dos esforços atuais de planeamento, com o objetivo último de garantir o envolvimento constante com cada país que aumente significativamente a sua capacidade de resposta a uma pandemia mundial grave”, declarou Erik Threet, gestor do programa PRP.

A fase inicial do PRP incidiu em 10 dos 18 países parceiros do PRP. Threet explicou que muitas das iniciativas futuras envolverão os restantes países parceiros, mantendo ao mesmo tempo a colaboração com os países com os quais o PRP tem vindo a trabalhar nos últimos três anos.

A importância dos esforços futuros do PRP de preparação para uma pandemia foi ainda realçada pelo major general Francis Okello, comandante de People's Defence Forces Rapid Deployment Capability Center do Uganda. “Por mais fortes que sejamos na resposta à pandemia, a nossa força dependerá do parceiro mais fraco e da rapidez com que conseguirmos treiná-los”, afirmou.

Threet concordou com Okello, resumindo a importância da conferência ao afirmar, “Em última análise, estamos todos juntos nisto”.

Dois soldados cumprimentam-se (DoD)

O vice-marechal do ar Christian Edem Kobla Dovlo (à esquerda), comandante do centro Kofi Annan, aperta a mão do general de brigada Charles Chiarotti do Comando Africano dos EUA.