Washington – A África Subsariana pode libertar-se da insegurança alimentar persistente e da dependência da ajuda alimentar se adotar novas políticas, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Apesar de a região ter tido um crescimento económico generalizado no últimos anos, muitas das conquistas não levaram a uma melhor segurança alimentar, declarou o PNUD no seu primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano Africano: Para um Futuro com Segurança Alimentar. Disse que são necessárias novas políticas para ajudar os pequenos agricultores a produzirem mais alimentos, melhorarem a nutrição dos alimentos, aumentarem a capacidade de lidar com os choques causados por alterações climáticas e conflitos e expandirem o empoderamento das mulheres e dos pobres rurais.
O relatório foi debatido a 20 de julho numa reunião de profissionais da ajuda alimentar e de trabalhadores humanitários na Brookings Institution (instituição independente de pesquisa e política), um grupo de reflexão sedeado em Washington.
O membro sénior de Brookings, Mwangi Kimenyi, afirmou que o problema da insegurança alimentar da África Subsariana é agravado pelos importantes desafios colocados pelo sistema alimentar internacional. Ele disse que apesar dos preços dos alimentos terem estado estáveis desde os aumentos de preços de 2007 e 2008, podem subir de novo devido à seca de 2012 nas principais zonas de produção de alimentos dos Estados Unidos. Além disso, a população da África Subsariana está a crescer (prevê-se que duplique até 2050), a procura de carne pelos consumidores em economias emergentes está a aumentar e há um maior uso de culturas para produzir biocombustível, disse ele.
O relatório diz que também há fatores positivos na região que podiam beneficiar a sua segurança alimentar. “A África Subsariana possui os conhecimentos, a tecnologia e os meios para acabar com a fome. Mas ainda lhe falta vontade política e dedicação”, segundo o relatório.
O relatório afirma que a irrigação e o melhor acesso dos agricultores ao mercado constituem desafios a longo prazo para a África Subsariana. “Quando os agricultores puderem transportar os seus excedentes rapidamente e a baixo custo para pontos de venda ou de armazenagem, podem ter incentivos para aumentar a produção”, diz o relatório.
Na reunião, Beth Dunford, que trabalha na iniciativa Alimentar o Futuro na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), afirmou que as mudanças políticas devem ser acompanhadas de mais investimento do setor privado. “O investimento público não é suficiente”.
Ela divulgou a iniciativa dos EUA numa reunião do Conselho de Relações Exteriores de Chicago em maio, pouco antes de uma reunião em Maryland dos líderes do grupo G8 de economias desenvolvidas. A Nova Aliança para Segurança Alimentar e Nutricional é uma atribuição de US$ 3 mil milhões feita pelo G8 e por 21 companhias africanas e 27 multinacionais para tirar da pobreza 50 milhões de pessoas em África até 2022. Novos investimentos agrícolas resultantes do acordo abrangerão todas as áreas da agricultura, incluindo irrigação, proteção de culturas, financiamento e infraestruturas.
“O crescimento económico de África, tendo a agricultura como principal motor, está a criar novas oportunidades de negócio importantes e a taxa de retorno do investimento estrangeiro em África é mais elevada do que em qualquer outra região em desenvolvimento”, declarou a USAID numa folha informativa a 18 de maio.
“O setor privado pode aumentar a disponibilidade de alimentos aumentando não só o investimento na produção mas também ligando os pequenos agricultores a mercados maiores e criando incentivos para a inovação que melhora a produtividade”, disse.
Para mais informações consulte o website de Alimentar o Futuro e a folha informativa da USAID sobre Nova Aliança para Segurança Alimentar e Nutricional – (websites em inglês).
