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Artigos

Às vítimas da violência sexual: vocês não estão sozinhas

Por Kathryn McConnell | Redatora | 25 de julho de 2012
Cartaz com mulher à secretária com a cabeça baixada (Cortesia de Jhpiego)

Este anúncio de serviço público do Ministério da Saúde de Moçambique tem como alvo mulheres vítimas de violência sexual. Diz: “Procura ajuda na unidade sanitária mais próxima. Tu não estás sozinha. Podes evitar apanhar doenças”.

Washington – Em Moçambique, como em muitos países, a violência com base no género continua a ser um segredo guardado. As vítimas enfrentam a perspetiva terrível de poderem apanhar o VIH ou outra infeção transmitida sexualmente por um agressor. Mais de 11% dos moçambicanos são seropositivos.

Para resolver isto, uma campanha de prevenção da violência com base no género está em curso na capital de Moçambique, Maputo, e em quatro outras zonas de grande prevalência no país. A campanha recebeu financiamento do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para combate à SIDA (PEPFAR) através dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) e é apoiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). É implementado pelo parceiro da USAID, Jhpiego, uma organização sem fins lucrativos na área da saúde, situada em Baltimore.

“Este não é apenas um problema social ou cultural; este é um problema de saúde. O VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis bem como a gravidez não desejada podem ser evitados”, declarou Alicia Jaramillo, diretora adjunta do escritório da Jhpiego em Moçambique.

O programa começou no Hospital Central de Maputo, o hospital escola com mil camas que tem uma sala especial de urgências para questões ginecológicas. Desde 2010, a Jhpiego tem vindo a trabalhar com profissionais da saúde na prevenção de infeções, incluindo o VIH, e na integração de serviços para vítimas de abuso sexual, independentemente da idade ou do género. Das mais de 2.400 vítimas que procuraram os serviços do hospital entre junho de 2005 e outubro de 2011, 58.6% tinham menos de 14 anos e 51% eram estudantes, segundo Ana Batista, uma funcionária da Jhpiego para a segurança no local de trabalho.

Para ajudar a evitar que as vítimas de abusos sexuais sejam infetadas com o VIH, os profissionais da saúde fazem-lhes a mesma profilaxia que é feita aos profissionais da saúde que se picam com agulhas.

“Vendo os pacientes virem à procura de cuidados após abusos sexuais e tendo a profilaxia pós-exposição já pronta para os profissionais da saúde – era muito natural o hospital oferecer estes kits às vítimas”, explicou Jaramillo.

O regime consiste em quatro semanas de medicamentos antirretrovirais. O medicamento deve ser tomado dentro de 72 horas para ter o máximo impacto. Assim, parte da campanha de sensibilização é um cartaz que mostra uma mulher com a cabeça baixada e a cara escondida. Está no hospital, nas esquadras da polícia, nas escolas na área metropolitana e envia uma mensagem compassiva às vítimas de violência sexual: "TU NÃO ESTÁS SOZINHA".

Batista disse que apenas 31% das vítimas se dirigem ao Hospital Central de Maputo dentro de 72 horas a contar do abuso sexual. Isso fez com que ela e as colegas desenvolvessem um aspeto do programa de base comunitária para sensibilizar acerca da violência sexual nas comunidades e encorajar as mulheres e famílias a procurarem tratamento imediatamente.

O cartaz encoraja as mulheres a procurarem tratamento imediatamente. “Queremos que as vítimas saibam que mesmo depois do abuso acontecer, ainda não terminou. Têm uma segunda oportunidade e podem obter ajuda”, declarou Batista.

Ela apresentará as conclusões desta campanha de base comunitária na Conferência Internacional sobre SIDA em Washington. A conferência decorre de 22 a 27 de julho.

A campanha tem também uma mensagem para os polícias: encaminhar devidamente as vítimas de abuso sexual para os serviços de saúde para cuidados e tratamento. Segundo a apresentação da Jhpiego na conferência, 33% das vítimas de abusos sexuais vistas em Maputo foram encaminhadas pela polícia.

A campanha transmite uma mensagem: as vítimas da violência com base no género não estão sozinhas e há ajuda disponível.