Washington – Em 1941, o presidente Franklin Delano Roosevelt publicou uma portaria exigindo às forças armadas que recrutassem e alistassem afro-americanos. Milhares de homens afro-americanos estavam prontos a servir o seu país e, depois de se alistarem, foram enviados para receberem treino de base em Camp Montford Point em Jacksonville, Carolina do Norte.
Os fuzileiros de Montford Point, como passariam a ser chamados, estavam separados dos seus colegas brancos e não podiam entrar no Camp Lejeune ali perto, a não ser que estivessem acompanhados de um militar branco. Mais de 19 mil militares afro-americanos foram treinados em Camp Montford Point, mas poucos receberam reconhecimento pelo serviço prestado em tempo de guerra.
A 27 de junho, os 368 fuzileiros ainda vivos de Montford Point foram condecorados pelo Congresso com a mais alta distinção civil, a Medalha de Ouro do Congresso, numa cerimónia em Capitol Hill. Com muitos dos sobreviventes presentes, William McDowell, representando os fuzileiros de Montford Point, aceitou a medalha em nome de todos os homenageados durante a cerimónia. “Hoje estamos reunidos para homenagear os fuzileiros de Montford Point não só pelo seu papel pioneiro ao derrubarem a barreira da cor no Corpo de Fuzileiros dos EUA, mas também pela sua coragem e pelo seu sacrifício no meio da afronta da discriminação racial”, afirmou o líder da minoria no Senado, Mitch McConnell.
“Pelos seus atos e pela sua coragem”, disse a líder da minoria na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, “os fuzileiros de Montford Point prepararam o caminho para a justiça no país. Venceram a adversidade e abriram as portas da oportunidade. Fizeram a América cumprir os seus ideais: direitos civis, liberdade e igualdade, que são o nosso legado e a nossa esperança”.
No dia seguinte os fuzileiros de Montford Point foram convidados de honra num desfile organizado pelo comandante do Corpo de Fuzileiros, no Quartel dos Fuzileiros em Washington. O general James F. Amos, comandante atual do Corpo de Fuzileiros, foi a força motriz por trás da condecoração com a medalha. “Há muito que é devido”, disse ao anunciar a condecoração. “A promessa que vos faço esta noite é de que a vossa história não será esquecida. Assumirá o lugar que lhe compete e ficará para sempre arraigada à rica história do Corpo de Fuzileiros dos Estados Unidos”.

