Washington – A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) lançou uma iniciativa mundial para ajudar os agricultores a aumentarem a sua produção, disponibilizando eletricidade a um preço acessível para fins agrícolas tais como irrigação e câmaras frigoríficas.
“Novas formas de fornecimento de energia limpa, independentes da rede pública, a agricultores ajudarão a aumentar a produção, os rendimentos e a diminuir os prejuízos após a colheita”, declarou o administrador da USAID, Rajiv Shah.
A iniciativa plurianual, designada “Estimular a Agricultura”, foi introduzida numa conferência recente da USAID em Washington chamada Frontiers in Development (Fronteiras em Desenvolvimento, em tradução literal). Participaram mais de 700 representantes do setor público e do privado do mundo inteiro.
A iniciativa incide na promoção de soluções visando energia limpa, a um preço acessível, para agricultores e agronegócios em todo o mundo em desenvolvimento. Também apoia abordagens direcionadas para o mercado que ligam fornecedores de serviços de eletricidade modernos a agricultores, transformadores de produtos alimentares, fornecedores e negociantes. Estas abordagens pretendem integrar ainda mais as tecnologias de energia limpa no setor agrícola a fim de se aumentar a produção e reduzir os prejuízos após a colheita.
“Aumentar o acesso do setor agrícola a tecnologias de energia limpa permitirá aos agricultores mecanizarem as suas operações, acrescentarem valor a produtos através do processamento e armazenarem produtos frescos em câmaras frigoríficas de modo a prolongar a sua validade. Estes progressos terão como consequência mais alimentos no mercado, aumento dos rendimentos dos agricultores e redução da dependência do setor agrícola dos combustíveis fósseis”, segundo um website sobre a iniciativa.
“Quando as comunidade são servidas por fornecedores de energia confiáveis, surgem novas oportunidades de emprego, as empresas locais tornam-se mais competitivas e a qualidade dos centros de saúde e das escolas melhora”, declara o website.
As tecnologias de energia limpa também significam que as crianças que vivem nas explorações agrícolas terão tempo e dinheiro para frequentarem a escola. Um exemplo de uma utilização da energia limpa é uma bomba de água movida a energia solar que aumenta a produção ao mesmo tempo que reduz o número de horas que um agricultor gasta a transportar água para os campos.
“Aumentar o acesso a energia limpa em países de baixos rendimentos é uma componente chave de medidas mundiais de desenvolvimento e da busca de uma economia sem carbono”, acrescenta o website.
Contudo, o website também diz que existem obstáculos significativos à integração de tecnologia de energias limpas no desenvolvimento agrícola. Os agricultores nem sempre estão a par da variedade de novas tecnologias que podem ser apropriadas para eles. As tecnologias de energia limpa são relativamente novas e, portanto, os agricultores têm acesso limitado aos distribuidores para instalação, peças e serviço. Muitas vezes os agricultores também não possuem os meios para cobrir os elevados custos de capital associados às melhorias de energia limpa. E o financiamento não se encontra muito disponível, segundo o website da iniciativa.
Em África, as mulheres constituem cerca de 80% da mão-de-obra na agricultura. “Imaginem o que aconteceria se tivessem acesso a tecnologia que pudesse ser reforçada por terem acesso a eletricidade. Elas passam bastante tempo a triturar alimentos, a moer, a preparar alimentos para o mercado e também podem conservar o que sobrou no fim do dia”, disse o serra-leonês Kandeh Yumkella, diretor geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. Ele explicou que na África Ocidental, onde os prejuízos após a colheita chegam a 60%, o acesso à energia pode reduzir esses prejuízos e colocar mais alimentos à disposição dos consumidores.
Ele acrescentou que 2012 foi declarado pela Assembleia Geral das NU ano da energia sustentável para todos, reconhecendo que o acesso à energia é crucial para se lutar contra a pobreza e de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, adotados em 2000. Os objetivos comprometem-se a reduzir a pobreza e a fome, melhorar a saúde e a educação e assegurar a sustentabilidade ambiental. “Esta conferência cria o vínculo entre segurança alimentar e segurança energética. São a inovação e o fornecimento de energia que irão melhorar a produtividade, em particular para as mulheres”, disse Yumkella.
Estimular a Agricultura é o terceiro “Grande Desafio” para os solucionadores mundiais de problemas se unirem em torno de um fim comum. O primeiro desafio foi designado Salvar Vidas à Nascença para acabar com doenças infantis que podem ser evitadas. “Graças a novas vacinas contra a pneumonia e a diarreia, a mosquiteiros eficazes e a uma série de outras tecnologias da saúde, agora temos os mecanismos necessários para transformar este objetivo ambicioso em realidade”, afirmou Shah. O segundo desafio foi designado Todas as Crianças a Ler.
Os parceiros de Estimular a Agricultura são o Departamento de Agricultura dos EUA, a Corporação Americana de Investimento Privado Estrangeiro, a Cooperação Sueca para o Desenvolvimento, Duke Energy e o Banco Africano de Desenvolvimento.
“Numa altura em que a austeridade está a dominar as discussões económicas nos países ricos, tanto Frontiers in Development como Call to Action mostram que este não é o momento de diminuirmos a nossa visão. Unir o mundo em torno de novas abordagens, quer sejam a sua resistência, o investimento privado na agricultura, mobile money ou sobrevivência infantil, vai ser uma marca de como [a USAID] trabalha progredindo”, declarou Shah.
Encontram-se disponíveis mais informações sobre Estimular a Agricultura num website dedicado a esta iniciativa. Mais informações acerca de Frontiers in Development estão disponíveis no website da USAID. Os websites acima estão em inglês.

