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Artigos

Mulheres empresárias africanas constroem laços, partilham sugestões

Por Anastasya Lloyd-Damnjanovic | Redatora | 26 de junho de 2012
Três mulheres africanas sentadas com trajes tradicionais (Dept. Estado/ Jane Chun)

Nongni Donovide (Togo), Mariem Sall (Mauritânia) e Weko Rispa (Chade) participam na conferência do Awep 2012 a 14-15 de junho.

Washington – Mulheres empresárias de 37 países africanos reuniram-se em Washington para o terceiro encontro do Programa Mulheres Empresárias Africanas (Awep), que decorre de 3 a 23 de junho. Representando uma variedade colorida de culturas, costumes e línguas, as cerca de 50 delegadas do Awep tinham todas duas coisas em comum: experiência empresarial e dedicação a melhorar comunidades através de negócios.

Lançado pelo Departamento de Estado em 2010, o Awep constrói redes de mulheres empresárias na África Subsariana que gerem pequenas e médias empresas que fazem avançar as suas comunidades nos seus países. Todos os anos, delegadas da Awep passam três semanas nos Estados Unidos a aprenderem sobre melhores práticas empresariais e formas de enfrentarem desafios comuns através de reuniões de desenvolvimento pessoal com decisores, associações industriais, grupos sem fins lucrativos e empresários.

As delegadas de 2012 geram negócios em indústrias como agronegócios e processamento de alimentos, têxteis, decoração de interiores, vestuário e cosméticos. Muitas destas empresas exportam os seus produtos para outros países africanos, para a Europa e até para os Estados Unidos e todas têm uma presença na internet.

Uma empresária animada do Gana, Francesca Brenda Opoku, é a fundadora e diretora-geral de Solution Oasis, uma companhia que produz produtos de beleza a partir de manteiga de cacau e de karité. Apesar da sua pequena fábrica empregar apenas 15 pessoas, a companhia de Opoku também trabalha com muitas mulheres da parte norte do país, que recolhem freixo e óleos naturais para os produtos de Solution Oasis. Em alturas de grande produção, Opoku chega a empregar 200 pessoas.

Opoku está bem consciente das formas positivas como a sua companhia influencia os seus empregados e a comunidade que a rodeia. Ela decidiu situar a sua fábrica fora da capital do Gana, Acra, para poder dar emprego e pessoas em zonas rurais, permitindo-lhes evitar o processo difícil de se mudarem para a cidade. Ela diz que os seus empregados e respectivas famílias também beneficiam da procura crescente pelos produtos da sua companhia em mercados estrangeiros.

“Se vier aqui aos Estados Unidos e conseguir uma grande encomenda, é uma grande alegria para mim porque a minha companhia progride, mas para essas mulheres… há esse efeito multiplicador, em que todos recebem uma pequena fatia do bolo”, disse Opoku. Com maiores receitas provenientes de maior produção, os seus empregados conseguem pagar as propinas da escola dos filhos e outros bens ou serviços que dantes estavam fora do seu alcance.

A empresária ruandesa Gloria Kamanzi Uwizera, fundadora de um negócio de arte e moda chamado Glo Creations constatou a mesma influência positiva da sua companhia sobre os seus empregados e as suas famílias. Glo Creations tem cinco empregados a tempo inteiro e todos gastam os seus salários para pagar as despesas de educação dos filhos e outras despesas familiares.

“Às vezes nem sequer compreendemos o que estamos a fazer pela nossa comunidade”, disse Uwizera. Além de dar emprego à população local “Comecei a… contar-lhes a minha história apenas para os levar a não olharem para si mesmos como se não tivessem potencial, como se não tivessem aptidões, como se não tivessem nada a partilhar com os outros”, acrescentou ela.

Weko Rispa, que gere uma loja de bordados e uma cooperativa feminina de bordados no Chade, reafirma o conhecimento de Opoku e Uwizera sobre o efeito dominó dos benefícios dos negócios. A sua Rispa Boutique emprega não só viúvas e órfãos em situações difíceis devido à instabilidade no Chade, mas também está a planear projetos de emprego para raparigas com VIH/SIDA. O impacto do emprego na sua loja vai para além destas pessoas marginalizadas afetando aos seus familiares e amigos.

“Para nós em África, a família é muito importante e por isso temos empregos que provêm à subsistência não de uma pessoa apenas mas dos membros da família mais próximos, dos vizinhos”, disse ela.

As delegadas do Awep concordam que a África precisa de mais empreendedorismo para melhorar o seu desenvolvimento político e económico. O empreendedorismo não só distribui riqueza a pessoas comuns, mas também reforça a economia do país e as relações comerciais com o resto do mundo.

“É muito importante para os africanos tornarem-se empresários porque ao fazê-lo, realmente colocam-se no mapa”, afirmou a serra-leonesa Ulreen I. Turay, proprietária de um negócio de decoração de interiores chamado Mitco Enterprises. “Tornámo-nos parceiras no desenvolvimento do nosso país”.

Os cidadãos de um país encontram-se muitas vezes bem posicionados para tomarem a dianteira em termos de reforma económica e social.

“Não podemos deixar tudo com o governo. Nós é que sabemos aquilo de que precisamos, é que sabemos para onde queremos ir, por isso o empreendedorismo é muito importante porque estamos a … ajudar-nos uns aos outros”, disse Uwizera.

O Awep complementa a Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (Agoa) que fornece a empresárias africanas informações e relações que elas podem utilizar para melhorar as operações das suas empresas, garantir parcerias público-privadas e alargar o papel das mulheres na definição dos climas de negócios nacionais. O programa Awep deste ano termina com a participação na Conferência Empresarial EUA-África do Departamento de Estado em Cincinnati, Ohio.

Weko Rispa (Dept. Estado / Jane Chun)

A Rispa Boutique de Weko emprega não só viúvas e órfãos, mas também está a planear projetos de emprego para raparigas com VIH/SIDA.