Washington – A Fundação dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Africano (USADF) anunciou a 15 de junho uma subvenção de um milhão de dólares para investimento no setor do leite do Malawi, no 11º Fórum de Cooperação Económica e Comercial EUA-África Subsariana, também conhecido como Fórum AGOA.
O investimento de um milhão de dólares, distribuído por sete projetos no setor leiteiro no Malawi, visa melhorar a produção e desenvolver os mercados nacionais e de exportação e o fornecimento dum alimento nutritivo em várias comunidades marginalizadas.
O setor do leite é uma prioridade de “Alimentar o Futuro” no Malawi porque tem um grande potencial como um produto de valor orientado para o crescimento. O projeto ajudará a expandir a alimentação para animais e a produção de leite com agricultores locais.
Em resposta ao aumento no preço mundial dos alimentos em 2007-2008, o presidente Obama anunciou US$ 3.5 mil milhões para ajudar os países pobres a combaterem a fome investindo no desenvolvimento agrícola. A iniciativa do governo americano “Alimentar o Futuro” utiliza inovação, investigação e desenvolvimento para melhorar a produtividade agrícola, ligar os agricultores a mercados locais e regionais, melhorar a nutrição e construir redes de segurança.
Ao fazer o anúncio, o membro da direção da USADF, Mimi Alemayehou, disse que a subvenção reforçará os rendimentos familiares e a nutrição de aproximadamente 4 mil pequenos agricultores e cerca de 20 mil familiares.
O presidente da USADF, Lloyd Pierson, disse ao Fórum que a USADF concede financiamento para que os africanos “possam fazer o trabalho” que têm que fazer. “Em África, não temos pessoal americano. Acreditamos que os africanos se podem ocupar do seu próprio destino, podem realizar o trabalho de desenvolvimento que é realizado. Só temos africanos a gerir os nossos programas”.
Representando o governo do Malawi, Newby Kumwembe, secretário principal no ministério da indústria e do comércio do Malawi, disse ao fórum que o governo do Malawi reconhece o “grande potencial” que o setor privado possui de contribuir para a melhoria de cidadãos do Malawi economicamente desfavorecidos.
Continuando, acrescentou que a indústria do leite do Malawi é “capaz de se tornar o fulcro numa cadeia de valor forte” que criará oportunidades de emprego enormes. Ele felicitou o governo americano pelo seu trabalho de reforço de pequenas empresas e cooperativas no Malawi.
Ele afirmou que o governo do Malawi está grato pela parceria que está a construir com o governo dos EUA que é “crucial e importante para capacitar os cidadãos tanto com assistência financeira como com assistência técnica… que está a contribuir para a segurança alimentar e o bem-estar da população rural do Malawi.
Mary Malunga, sócia-diretora da Associação Nacional de Mulheres Empresárias no Malawi, que também participou na cerimónia, declarou que o investimento é uma componente importante para reduzir a pobreza extrema no Malawi.
“Mais agricultores agora são capazes de aumentarem os seus rendimentos familiares porque a USADF disponibilizou capital e serviços de formação necessários para que o pequeno agricultor passe para o nível seguinte”, disse ela.
O presidente da USADF, Pierson, disse que 100% da subvenção de um milhão de dólares vai para o Malawi sem que o montante seja entregue a contratantes ou intermediários. “Ou seja, US$ 1 milhão diretamente para criar rendimentos. Os nossos dados mostram que por cada US$ 1 milhão atribuído, são gerados pelo menos US$ 3.6 milhões”.
Isso significaria que US$ 1 milhão criaria US$ 3.6 milhões em atividades de desenvolvimento económico nessas comunidades, acrescentou.
Numa entrevista após o anúncio, Pierson disse que é importante ajudar as pessoas que se encontram no “degrau mais baixo” da sociedade.
“Quando uma pessoa pela primeira vez na vida consegue sustentar a sua família, consegue obter rendimentos, assistimos a uma mudança notável”, disse ele. “Podemos considerar o aspeto financeiro, pela primeira vez são consumidores e estão a comprar produtos… mas a consequência real é uma consequência humana de dignidade”.
