Washington – A Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (Agoa), a pedra angular da relação comercial e económica dos EUA com a África Subsariana, tem sido um grande sucesso tanto para os Estados Unidos como para os seus parceiros africanos, segundo o secretário de Estado adjunto, Johnnie Carson.
“Desde o início da Agoa em 2000, houve um aumento de 300% no comércio total nos dois sentidos entre os Estados Unidos e a África”, disse Carson a 13 de junho num briefing ao telefone numa antecipação do 11º Fórum Comercial e Económico EUA-África Subsariana, também conhecido como Fórum Agoa, em Washington a 14-15 de junho.
“Tivemos importantes sucessos com a Agoa ao longo dos anos”, declarou o representante de Comércio adjunto dos EUA, Demetrios Marantis, que se juntou a Carson na chamada. “Realmente ajudou a promover exportações não tradicionais e de valor acrescentado de África”.
Tanto Carson como Marantis elogiaram esta diversificação das exportações como benéfica tanto para as economias africanas participantes como para os Estados Unidos. O comércio nos dois sentidos, desde o começo da Agoa, totalizou mais de US$ 716 mil milhões, chegando a US$ 95 mil milhões só em 2011. Marantis disse que 2012 deve vir a ser outro ano recorde, uma vez que o comércio é 22% superior ao de igual período no ano passado.
Para melhorar este crescimento, segundo Marantis e Carson, a África tem que aumentar as suas infraestruturas. O Fórum Agoa 2012 incidirá em como vencer o desafio da falta de infraestruturas, que é muitas vezes citada como um obstáculo ao comércio internacional e regional em África.
“Ao trabalhar através do Fórum Agoa para ajudar a melhorar a infraestrutura comercial em África, esperamos ajudar os nossos parceiros na África Subsariana a aproveitarem melhor as oportunidades que a Agoa proporciona”, disse Marantis. Ele também afirmou que ajudar a desenvolver as infraestruturas de África “realmente ajuda a reforçar os próprios esforços de África para conseguir a integração económica regional” e que os Estados Unidos atribuem prioridade ao apoio a iniciativas já em curso levadas a cabo pelos países na região.
Ambos os diplomatas abordaram a questão de tecidos de países terceiros, uma cláusula importante da AGOA que concede apoio significativo aos setores têxtil e de confeções e que deve expirar em setembro. Carson e Marantis apelaram ao Congresso para renovar esta cláusula, que consideram fundamental para o sucesso contínuo da AGOA uma vez que ajuda a promover o crescimento e a oportunidade por toda a África. Disseram que essa cláusula tem apoio bipartidário no Congresso e a administração Obama fez da sua rápida aprovação uma alta prioridade.
Ao planear o sucesso económico de África a longo prazo, Carson incentivou os governos de todo o continente a porem em prática os valores democráticos.
“Boas instituições e bons sistemas judiciais ajudam a reforçar a oportunidade de maior desenvolvimento económico e crescimento do mercado”, afirmou Carson, acrescentando que os países que praticam a democracia “também ajudam a criar ambientes mais propícios para atividades económicas do mercado livre”.
A Agoa, promulgada pelo então presidente Bill Clinton em 2000, tinha como objetivo promover laços comerciais e de investimento entre os EUA e a África Subsariana. Concede preferências comerciais aos 40 países africanos participantes através da eliminação de quase todas as tarifas sobre as suas exportações. Acabou com muitas barreiras comerciais e aduaneiras numa tentativa de estimular o crescimento económico, incentivar a integração económica e ajudar a integrar a África Subsariana na economia mundial.
O fórum de 2012 reúne mais de 600 participantes, incluindo altos funcionários dos governos americano e africano, líderes do setor privado e representantes da sociedade civil. Foi precedido de um programa da sociedade civil com dois dias de duração, a 12-13 de junho, em Washington, e complementado pelo Programa de Empreendedorismo de Mulheres Africanas. O Conselho Empresarial para África (CCA, na sigla em inglês) organizará a sua conferência sobre infraestruturas de 18 a 20 de junho em Washington e a Conferência Empresarial EUA-África terá lugar em Cincinnati, Ohio, a 21-22 de junho.
