Washington – Sessenta e dois jovens africanos que estão a ganhar nome de várias formas como inovadores estão de visita aos Estados Unidos por três semanas para aperfeiçoarem as suas competências a fim de fazerem mudanças em África.
A Cimeira de Inovação e Parceria de Aconselhamento com Jovens Líderes Africanos, que decorre de 12 de junho a 1 de julho, faz parte da Iniciativa Presidencial de Jovens Líderes Africanos e faz avançar a visão do presidente Obama de que o futuro de África está nas mãos dos seus jovens.
Uma mulher de voz suave dos Camarões, Jacqueline Kamsu Souba, é uma inovadora cheia de imaginação cujo trabalho melhora o ambiente bem como as finanças de jovens mães solteiras. Souba apanha bolsas de plástico usadas, jornais velhos, calendários antigos e caixas de cartão e depois transforma-os em bolsas, brincos, colares e anéis coloridos. A sua empresa, Beads Space, situada na cidade de Bamenda a noroeste, ganhou o primeiro prémio numa exposição nacional na capital dos Camarões, Yaoundé, para produtos de materiais reciclados.
Ela emprega 13 mulheres jovens que são mães solteiras. O seu objetivo é dar-lhes formação para se tornarem produtoras independentes. Os seus modelos chamaram a atenção de muitos compradores estrangeiros, mas porque a produção é manual, ela não consegue produzir quantidade suficiente para satisfazer as suas encomendas. “Eles perguntam sempre quanto podemos fazer numa semana. Espero industrializar a produção para podermos satisfazer a procura crescente”, disse ela.
Durante a sua estadia nos Estados Unidos, passará duas semanas numa companhia de fabrico de contas em Denver onde quer melhorar as suas capacidades de gestão e produção. “Sonho construir no futuro um centro de formação. Espero que a minha estadia aqui me ajude a preparar-me para esse grande desafio”, declarou.
Souba é o tipo de pessoa que o presidente Obama tinha em mente quando disse na primeira conferência de Jovens Líderes Africanos em 2010 “Competirá a vocês jovens cheios de talento e imaginação construir a África dos próximos 50 anos”.
Rija Andriamoria de Madagáscar é outro exemplo. Aos 27 anos, Andriamoria é também um empreendedor no campo da comunicação e marketing digital, e uma ativista que luta pelo o livre fluxo de informações contrariando tentativas de censura do governo. Ele é um dos membros fundadores da associação Malagasy i-Hub, responsável por um centro de capacitação, um espaço de convivência e uma incubadora para dar início a novas tecnologias relacionadas com Madagáscar.
“O governo ameaça e prejudica jornalistas que se atrevem a publicar coisas que o governo esconde”, disse Andriamoria. Durante a sua estadia nos Estados Unidos ele fará contactos com jornalistas e ativistas da Web para aprender mais sobre a divulgação de informações perante a censura do governo.
Andriamoria trabalha estreitamente com outra jovem líder africana de Madagáscar, Saraha Ny Rasoambolanoro. Rasoambolanoro gere o Centro Cívico da Juventude na capital, que é financiado pela Embaixada Americana em Madagáscar para promover a democracia e o envolvimento cívico com os jovens. Rasoambolanoro disse que trabalhou recentemente num projeto que promovia a importância da educação e tornava a oportunidade de educação igualmente disponível para todos. “60% da nossa população tem entre 16 e 30 anos. Precisamos de melhor educação para todos para melhorar o nosso país”, declarou. Andriamoria, o ativista da Web, divulga informações que têm origem no centro cívico da juventude gerido por Rasoambolanoro.
Outros inovadores encontram-se nos Estados Unidos com ambições comerciais. Adon Madi, diretor geral de National Express Cleaning em Brazzaville na República do Congo, quer expandir a sua companhia que limpa edifícios de escritórios e fábricas. “Muitas companhias estrangeiras têm escritórios em Brazzaville. Quero contactar com elas durante a minha estadia nos Estados Unidos”, disse ele. Ele pretende aumentar o número de empregados de 40 para 500 no próximo ano.

