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Clinton enaltece Agoa no arranque do 11º Fórum

Por MacKenzie C. Babb | Redatora | 19 de junho de 2012
Hillary Rodham Clinton a falar no Fórum Agoa Fórum atrás do pódio (Dept. Estado / Jane Chun)

Secretária Hillary Rodham Clinton declara que o objetivo da Agoa é “trabalhar como parceiros para promover o crescimento e a prosperidade para que mais pessoas possam beneficiar dos laços económicos entre os nossos países”.

Washington – A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton abriu o 11º Fórum Comercial e Económico EUA-África Subsariana, também conhecido como Fórum Agoa, em Washington, com um discurso no qual enalteceu o grande sucesso deste programa vital de desenvolvimento económico.

“A Agoa ajudou a aumentar o comércio e o investimento e abriu novas portas de oportunidade”, declarou Clinton durante o fórum no Departamento de Estado a 14 de junho. “Esteve na origem de novos postos de trabalho, do aparecimento de novos setores e novas oportunidades de negócio para as pessoas em todos os países aqui representados bem como nos Estados Unidos”.

Em 2011, disse a secretária, as importações dos EUA dos países da Agoa foram mais de seis vezes superiores às de há 10 anos. Desde que a Agoa começou em 2000, o comércio nos dois sentidos entre os Estados Unidos e a África Subsariana teve um aumento de 300%, atingindo um total superior a US$ 716 mil milhões. O comércio dos EUA com a região chegou a US$ 91 mil milhões só em 2011 e o representante de Comércio adjunto dos EUA, Demetrios Marantis, afirmou numa conferência de imprensa a 13 de junho que 2012 ia ser outro ano recorde.

Clinton explicou que o comércio entre a África e o resto do mundo também tinha crescido exponencialmente, triplicando durante os últimos 10 anos, pois o investimento privado estrangeiro ultrapassou finalmente a ajuda pública.

Ela disse que o investimento mundial em África deve continuar a aumentar porque o continente oferece a maior taxa de retorno sobre o investimento direto estrangeiro do que qualquer outra região em desenvolvimento no mundo.

“Na verdade, é a única região em desenvolvimento em que se prevê que a taxa de crescimento suba este ano”, acrescentou Clinton.

A África é uma das regiões em crescimento mais rápido no mundo onde se encontram seis das 10 economias em crescimento mais rápido a nível mundial.

“A classe média está a crescer, o consumo está a aumentar, os centros urbanos estão a tornar-se centros económicos vitais”, disse Clinton, acrescentando que a África é no século XXI “o continente que é uma terra de oportunidades”.

Contudo, apesar dos progressos realizados, ainda há muito mais potencial de comércio e investimento em África, segundo Clinton.

Ela realçou a importância do desenvolvimento de infraestruturas que é o tema do fórum deste ano. A secretária afirmou que para a África alcançar todo o seu potencial terá que se concentrar no desenvolvimento de infraestruturas físicas, como estradas, portos e redes elétricas modernas.

Igualmente essencial serão melhorias no quadro regulador o que tornará mais fácil fazer coisas como o registo de uma nova empresa ou conseguir uma licença de construção, explicou Clinton.

Finalmente, disse ela, é importante que a África se dedique a investir na sua infraestrutura humana.

“Numa altura em que 60% das pessoas da África Subsariana têm menos de 25 anos e milhões estão desempregadas, tem que haver um esforço concentrado de todos nós para ajudar a equipar estes jovens, apoiá-los, porque as nossas economias e as nossas sociedades precisam do seu talento, da sua energia e das suas ideias”, afirmou Clinton.

“O mesmo se aplica aos homens”, continuou, acrescentando que o apoio a mulheres empresárias pode causar um “efeito multiplicador” para as economias em crescimento. Clinton disse que essa é uma razão pela qual os Estados Unidos são “um forte apoiante do empoderamento económico das mulheres não só em África, mas em todo o mundo”.

A secretária anunciou uma nova parceria entre o Programa Mulheres Empresárias Africanas (Awep – sigla em inglês) e Intel, a Fundação Exxon Mobil, uma organização não governamental chamada Vital Voices (Vozes Vitais) e a Fundação Cherie Blair para Mulheres para proporcionar às mulheres formação em literacia digital, negócios e aconselhamento profissional.

“Através de programas como o Awep e as parcerias tornadas possíveis pela Agoa podemos ver a transformação económica com os nossos próprios olhos”, disse Clinton. O programa de empreendedorismo das mulheres realiza-se nos Estados Unidos de 4 a 23 de junho e os participantes estão presentemente em Washington a participar nas conversações da Agoa.

Clinton também anunciou a designação do primeiro Dia Mundial da Arte de Governar a Economia, que realça a importância das questões económicas como um elemento chave da política externa americana.

“Os nossos diplomatas estão a envolver-se mais em assuntos económicos no mundo inteiro porque todos nós sabemos que as forças económicas estão a moldar cada vez mais o nosso mundo e as nossas economias serão cada vez mais interdependentes”, disse ela.

A secretária abordou a questão de tecidos de países terceiros, uma cláusula fundamental da Agoa que concede apoio significativo ao setor têxtil e de confeções que deve expirar em setembro. Acrescentou que a cláusula tem apoio alargado nos Estados Unidos e o Departamento de Estado tem estado a trabalhar estreitamente com os seus parceiros no Congresso para apressar o processo de renovação. Ela mostrou-se confiante que a cláusula será renovada com êxito.

Clinton tinha dito antes nesse dia que o presidente Obama promulgou uma nova diretiva política sobra a África Subsariana traçando uma estratégia para os países trabalharem em parceria a fim de alcançarem objetivos comuns e vencerem desafios.

“Não se trata apenas de crescimento económico, mas também de progresso democrático, segurança melhorada, ganhos no desenvolvimento porque, com tudo junto, reforçaremos a segurança, a prosperidade e as democracias em África”, afirmou Clinton. “Ao fazê-lo, ajudaremos a realizar esse sonho de um futuro de paz, liberdade, prosperidade e dignidade para todos os africanos”.

O discurso da secretária veio depois da alocução do representante de comércio dos EUA, Ron Kirk, e da ministra do Comércio do Gana, Hanna Tetteh.

O fórum de 2012 reúne mais de 600 participantes, incluindo altos funcionários dos governos americano e africano, líderes do setor privado e representantes da sociedade civil. Foi precedido de um programa da sociedade civil com dois dias de duração, a 12-13 de junho, em Washington, e complementado pelo Programa Mulheres Empresárias Africanas. O Conselho Empresarial para África organizará a sua conferência sobre infraestruturas de 18 a 20 de junho em Washington e a Conferência Empresarial EUA-África terá lugar em Cincinnati, Ohio, a 21-22 de junho.

A Agoa, a Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África, promulgada pelo então presidente Bill Clinton em 2000, tinha como objetivo promover laços comerciais e de investimento entre os EUA e a África Subsariana. Concede preferências comerciais aos 40 países africanos participantes através da eliminação de todas as tarifas sobre as suas exportações. Acabou com muitas barreiras comerciais e aduaneiras numa tentativa de estimular o crescimento económico, incentivar a integração económica e ajudar a integrar a África Subsariana na economia mundial.