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Artigos

Medidas antimalária obtêm resultados que devem ser mantidos

19 de junho de 2012
Crianças africanas espreitam por baixo de um mosquiteiro (Gilbert Awekofua/Photoshare)

Crianças espreitam por baixo do ITN pendurado no norte do Uganda. O ITN reduz as mortes e as doenças causadas pelas malária, se usado correta e constantemente todas as noites.

Washington – Uma equipa de avaliação independente conclui que a Iniciativa do Presidente para a Malária (PMI – sigla em inglês) teve “muito sucesso” na redução dos óbitos infantis devido a doença parasitária causada por um mosquito, mas também adverte que o programa deve avançar para que essas conquistas sejam mantidas.

O Centro para Saúde Global e Desenvolvimento (CGHD – sigla em inglês) na Universidade de Boston entregou o seu relatório ao Congresso a 5 de junho.

A Iniciativa do Presidente para a Malária arrancou em 2006 e manteve-se até ao presente como uma componente da Iniciativa Mundial para a Saúde defendida pelo presidente Obama. O objetivo do programa é reduzir os casos de malária entre a população mais frágil, ou seja, as crianças com menos de 5 anos. A doença matou cerca de 655 mil em 2010 e as crianças pequenas africanas são o grupo demográfico afetado mais gravemente.

Contudo, a doença tem demonstrado uma tendência constante para diminuir desde 2000 e a Organização Mundial da Saúde calculou que os óbitos diminuíram 33% em África desde 2000 e em cerca de mais de 25% mundialmente.

A equipa de avaliação do CGHD passou sete meses a fazer visitas e a entrevistar profissionais da saúde nos países em que a PMI está em execução.

“A história do controlo da malária tem sido de sucesso temporário seguido de fracasso”, segundo a equipa. “A PMI ajudou a criar um sucesso nesta última tentativa de controlo da malária; conceber uma estratégia para manter esses progressos e adaptá-los a desafios biológicos, políticos e financeiros é essencial para evitar que a história se repita”.

A PMI tem como alvo 15 países de alto risco na África Subsariana com a aplicação massiva das medidas conhecidas para acabar com a doença: o uso de mosquiteiros impregnados de inseticida (ITNs – sigla em inglês) para evitar mordeduras de mosquito e pulverização com inseticida dentro das habitações. Um relatório do Dia Mundial da Malária preparado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional em finais de abril disse que os programas de pulverização protegeram 28 milhões de pessoas em 2011, e mais de 31 milhões de mosquiteiros foram distribuídos desde 2006.

“Apesar de existirem importantes desafios biológicos, políticos e financeiros que podem minar as realizações até à data”, prossegue o relatório, “a PMI nos seus primeiros cinco anos de atividade granjeou e merece a tarefa de manter e alargar a resposta do governo americano aos esforços mundiais de controlo da malária”.

O relatório do CGHD recomenda uma reavaliação dos métodos de prevenção da malária, incluindo do uso de inseticida, que, concluíram os investigadores, cobre uma fração da população em risco a um custo elevado.

Em cada país a PMI dedica-se a construir relações e cooperação com programas nacionais de controlo da malária e o relatório sugere que se comece a considerar a transferência de alguns programas operacionais para serviços nacionais que tenham desenvolvido as capacidades necessárias.

Quanto ao futuro, os investigadores sugerem que as dificuldades financeiras que afetam até as economias mais fortes do mundo podem causar um abrandamento na ajuda à saúde nos países em desenvolvimento. Tendo em conta essa perspetiva, o relatório menciona “um imperativo profundo” de os programas funcionarem da forma mais eficaz possível em termos de custos.