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Artigos

Dois americanos trazem emprego a Zâmbia e aos EUA

Por Aaron Lancaster | Redator | 15 de junho de 2012
Dustin McBride, Vaughn Spethmann e Daryl Funk posando com a equipa de produção da Zambikes (Cortesia de Vaughn Spethmann)

Vaughn Spethmann (em cima) e Dustin McBride (em baixo ao centro) posando com o seu pessoal de produção na parte ocidental de Lusaka, Zâmbia, fizeram equipa com Daryl Funk (fila de baixo, terceiro a contar da esquerda) para desenhar os seus produtos.

Washington – Dustin McBride e Vaughn Spethmann, dois empresários americanos extraordinários têm estado a trabalhar desde 2007 para trazerem empregos muito necessários, transportes e oportunidades à Zâmbia.

Eles fundaram conjuntamente a companhia Zambikes em 2007 para fornecer bicicletas com estrutura de aço e bambu a clientes na África Austral. As bicicletas sólidas, mas leves, de bambu levam cerca de dois meses a montar, mas oferecem uma alternativa ecológica aos métodos tradicionais de fabrico.

Estruturas especiais ligadas às bicicletas de aço substituíram carroças e ambulâncias em zonas onde são raros veículos motorizados e estradas calcetadas. Os produtos da Zambikes são agora vendidos na África do Sul, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Canadá, Nova Zelândia, Japão e Estados Unidos.

McBride, assessor em desenvolvimento de liderança, diz que a sua forte fé cristã e um fascínio por outras culturas influenciou a sua decisão de deslocalizar. “Eu realmente senti uma paixão e fiquei entusiasmado ao ver… outras partes do mundo onde eu podia retribuir em tempo e energia”.

A oportunidade surgiu enquanto ele e Spethmann eram estudantes na Azusa Pacific University, uma universidade cristã situada fora de Los Angeles. Os dois visitaram a Zâmbia numa viagem escolar em 2004 e ficaram preocupados com as taxas elevadas de pobreza e desemprego. Constatando a falta de acesso a transportes, decidiram regressar à Zâmbia depois de se licenciarem.

“Orámos acerca disso e pensámos nisso”, disse Spethmann, “e mais ou menos chegámos à mesma conclusão separadamente”. Pouco depois, os futuros homens de negócios entraram em contacto com os zambianos Gershom Sikaala e Mwewa Chikamba. Vendo que os americanos estavam desejosos de ajudar, Sikaala e Chikamba não levaram muito tempo para oferecer o seu apoio.

“Penso que desde o início, da primeira vez que nos encontrámos, estávamos todos a falar a mesma língua”, afirmou Chikamba. “Estávamos todos entusiasmados acerca de mudar a mentalidade do povo zambiano e de lhes proporcionar melhores meios de transporte que estariam ao alcance do zambiano médio”.

Os dois pares de empresários ficaram em contacto por telefone, e-mail e Skype durante 2007. Juntamente com um construtor de bicicletas veterano, Daryl Funk, o par americano regressou à Zâmbia e então fez uma sociedade com Sikaala e Chikamba para constituir a Zambikes.

Além de proporcionar opções de transporte muito necessárias para os zambianos, a companhia é uma origem de emprego e aconselhamento. Zambikes emprega 30 zambianos que fabricam e distribuem “Zambulances,” “Zamcarts” e “Zambikes” na Zâmbia e nos países vizinhos.

Através de subvenções da companhia, os empregados conseguiram ir à escola comercial, frequentar a universidade e até fazer mestrados. Um antigo empregado foi trabalhar para uma importante companhia africana da rede móvel. “Às vezes sentimo-nos felizes por eles e muitos vezes lamentamos vê-los partir”, disse Spethmann.

A companhia colocou intencionalmente o seu armazém num bairro pobre fora da movimentada capital, Lusaka.

“Estabelecemos o armazém ali fora especificamente para ajudar a desenvolver a comunidade nessa zona”, explicou McBride. “Teria sido mais fácil estabelecê-lo na zona industrial e ter isso como enfoque principal”.

Em vez disso, a Zambikes tem como alvo os cidadãos pobres da parte ocidental de Lusaka, ensinando-lhes tudo, desde como pintar, soldar e reparar bicicletas a como comercializá-las.

A companhia criou uma equipa de futebol em 2007 como uma maneira de construir relacionamentos com a comunidade. “Isso é algo que realmente une as pessoas”, disse McBride, descrevendo como o jogo trouxe à Zambikes alguns dos seus primeiros empregados.

“Eu apenas disse, ‘Ei, porque é que não vêm e tentam aprender um pouco de mecânica?’ Os que se saíram bem nós empregámos, os que não se saíram bem continuam a jogar futebol connosco”, brincou ele.

O impacto da nova empresa começa até a atingir os Estados Unidos.

As operações americanas da Zambikes, Zambikes USA e Zambikes LA, fizeram parceria com Fred Jordan Mission em Los Angeles and Rolling Hills Covenant Church para ensinar a ex-condenados e a sem abrigo como fabricar produtos da Zambikes.

“Isso dá-lhes um sentido de responsabilidade que a maior parte deles nunca sonhou na sua posição atual”, explicou McBride.

Os formandos que concluem os seus cursos de soldagem têm a oportunidade de frequentar uma escola de soldagem certificada pelo estado da Califórnia. Zambulances e Zamcarts produzidas por estes antigos reclusos destinam-se a regiões em desenvolvimento. A Zambikes está a planear operações na República Democrática do Congo, no Quénia, no Malawi e no Uganda. Os programas estão a aceitar donativos que lhes permitirão alcançar a sustentabilidade.

“Há pessoa a perguntar, ‘Ei, estou na Nigéria… Estou no Sudão do Sul. Precisamos de reboques para ambulância. Como é que os conseguimos aqui?’”, disse McBride.

Através de trabalho árduo, inovação e um pouco de fé, estes jovens empresários estão a demonstrar que a ambição e a compaixão podem juntar-se.