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Artigos

Zâmbia surge como líder económico e político africano

08 de junho de 2012
Trabalhadores no local da construção (Imagens AP)

Trabalhadores a construir uma fundição de cobre em Chingola contribuem para a maior indústria da Zâmbia. Mark Storella disse que a Zâmbia já é o oitavo maior produtor mundial desse metal.

Washington – A Zâmbia é um parceiro de comércio e investimento cada vez mais importante para os Estados Unidos e países em todo o mundo graças aos seus vastos recursos, à estabilidade política e a uma economia em rápido crescimento.

“A Zâmbia é realmente um país excecional em África”, afirmou o embaixador dos EUA na Zâmbia, Mark C. Storella, durante uma visita com mais de 60 representantes de empresas americanas a 31 de maio. “Desde a sua independência em 1964, tem estado totalmente em paz”. Storella acrescentou que os recursos naturais do país, terrenos férteis e abundantes e pessoas amáveis e simpáticas fazem da Zâmbia um destino ideal para o investimento estrangeiro.

A Zâmbia está no 12º ano consecutivo de crescimento económico positivo, com uma média de cerca de 6% de crescimento nos últimos oito anos. O embaixador observou que o comércio do país com os Estados Unidos duplicou em 2011: “Poucos países no mundo podem dizer isso”. A economia da Zâmbia cresceu 7.6% em 2011 e prevê-se que cresça mais de 7% em 2012.

Storella disse que o país recebeu uma boa classificação do Fundo Monetário Internacional pela sua estabilidade macroeconómica e gestão fiscal e foi declarado pelo Banco Mundial em 2011 um país de rendimento médio.

“Isso é uma proeza”, afirmou Storella. “Mostrou que o rendimento nacional bruto per capita é superior a US$ 1.000”. Ele explicou que apesar dos níveis de pobreza rural permanecerem elevados, há uma classe média urbana em crescimento.

Este crescimento criou uma maior procura de bens de consumo de alta qualidade e levou o país a concentrar-se na melhoria dos laços comerciais e de investimento com os seus vizinhos e parceiros em todo o mundo.

No âmbito deste esforço, o governo zambiano enviará uma delegação chefiada pelo ministro do Comércio e Indústria, Robert Sichinga, numa missão comercial a cinco cidades dos Estados Unidos em junho, centrada no Fórum da Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (AGOA), a 14-15 de junho em Washington. Além de Washington, a delegação visitará Cincinnati, Houston, Atlanta e Boston e dedicará a sua atenção a energia, agricultura, exploração de minas, indústria e infraestruturas.

Em particular, Storella disse que melhorar as infraestruturas é um dos principais objetivos da Zâmbia bem como um passo essencial para melhorar o comércio com parceiros regionais e mundiais. Para apoiar o desenvolvimento de infraestruturas, o governo dos EUA assinou em maio um convénio cifrado em US$ 355 milhões através da Millennium Challenge Corporation a fim de modernizar o sistema de drenagem de água e de esgotos da capital, Lusaka. O governo zambiano tenciona emitir títulos no valor de US$ 700 milhões ainda este ano a fim de obter capital para o desenvolvimento de mais infraestruturas, incluindo energia e transportes.

O país é também abençoado com recursos minerais abundantes. Como maior produtor de cobre em África, o país exportou 800 mil toneladas de cobre em 2011. Storella disse que nos próximos anos se prevê que o país exporte mais de 1 milhão de toneladas de cobre.

Além disso, como país vasto relativamente pouco povoado com recursos hídricos significativos, a Zâmbia possui um potencial agrícola enorme. Com apenas 14% das terras aráveis a serem cultivadas atualmente, apenas 2% das terras a serem irrigadas e a agricultura mecanizada a ser praticada só em 1%, o país acolhe favoravelmente os investimentos por companhias estrangeiras para ajudar a desenvolver o setor, segundo Storella.

O turismo é outra área com um grande potencial, graças às cataratas Vitória e vários parques para safari bem conhecidos mas preservados. Storella disse que em 2013 a Zâmbia e o Zimbabué acolherão conjuntamente a 20ª sessão da Assembleia Geral da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas.

Os Estados Unidos estão empenhados em continuar a apoiar a Zâmbia pois surge como uma potência económica e política em África, declarou Storella. Uma peça chave deste apoio será a AGOA, a peça central do envolvimento económico dos EUA em África.

Promulgada pelo então presidente Bill Clinton em 2000, o plano crucial de desenvolvimento económico concede preferências comerciais a 40 países africanos participantes eliminando quase todas as tarifas sobre as exportações. Também reduz outras barreiras comerciais e aduaneiras numa tentativa de ajudar a estimular o crescimento económico, encorajar a integração económica e ajudar a integrar a África Subsariana na economia mundial.

O Fórum AGOA 2012 incidirá na melhoria das infraestruturas em África para aumentar o comércio e o desenvolvimento. Reunirá mais de 600 participantes, incluindo altos funcionários americanos e africanos, membros do setor privado e representantes da sociedade civil.