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Obama incita G8 a próximo passo em segurança alimentar mundial

Por Charlene Porter | Redatora | 07 de junho de 2012
Presidente Obama no pódio tendo ao fundo uma foto de uma agricultora africana (Imagens AP)

O presidente Obama anunciou um novo plano para aumentar a segurança alimentar e melhorar a nutrição no Simpósio sobre Agricultura e Segurança Alimentar Mundial.

Washington – O presidente Obama anunciou um plano para acelerar s investimentos na agricultura dos países em desenvolvimento a fim de satisfazer a procura crescente de alimentos e melhorar a nutrição, dizendo que a Nova Aliança para Segurança Alimentar e Nutricional é um dever moral, económico e social.

“Vimos agora como a alta nos preços dos alimentos pode lançar milhões de pessoas na pobreza, o que, por sua vez, pode provocar tumultos que custam vidas e levam à instabilidade”, disse Obama a 18 de maio, apenas umas horas antes de receber os líderes dos países do G8. O potencial de instabilidade relacionada com a alimentação aumenta com o aumento populacional e maiores necessidades de alimentos.

“Reduzir a subnutrição e a fome em todo o mundo faz avançar a paz e a segurança internacionais e isso inclui a segurança internacional dos Estados Unidos”, explicou ele.

Os líderes do G8 juntar-se-ão a Obama numa residência presidencial nas montanhas para uma cimeira de dois dias. Ele falou num simpósio sobre agricultura mundial e segurança alimentar patrocinado pelo Council on Global Affairs de Chicago, uma instituição privada com 90 anos que se dedica a incentivar o diálogo sobre relações internacionais.

O presidente disse que as iniciativas da nova aliança arrancarão em três países que já demonstraram as suas capacidades de melhorar a agricultura: Tanzânia, Gana e Etiópia. Os presidentes desses três países africanos estiveram presentes na apresentação [da Aliança] e participarão na cimeira do G8 na qual serão discutidas estas propostas.

Segundo Obama, nos meses seguintes mais países e parceiros aderirão ao que se espera que seja um esforço a longo prazo que irá tirar 50 milhões de pessoas da pobreza.

A comunidade internacional tem um longo historial de prestação de ajuda alimentar de emergência em casos de seca ou catástrofes, sem efeitos duradouros, deixando as pessoas “vulneráveis como antes, à espera de que aconteça a próxima crise”, disse Obama. Ele apelou à comunidade internacional para que adira a uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo, que aproveite os êxitos recentes.

Obama exprimiu a esperança de que a Nova Aliança para Segurança Alimentar e Nutricional reduza a necessidade de ajuda de emergência porque os países em desenvolvimento aumentarão a produção agrícola, com mais sustentabilidade e menos vulnerabilidade nas culturas. Mesmo com esse objetivo, os Estados Unidos manterão os seus compromissos relativos a ajuda alimentar de emergência, declarou Obama.

Ele lançou um apelo aos países do G8 para que cumpram compromissos assumidos há vários anos de aumentar a ajuda para melhorar a agricultura dos países em desenvolvimento e também anunciou que 45 companhias – desde grandes multinacionais a cooperativas africanas – prometeram um investimento combinado de US$3 mil milhões para o lançamento da nova aliança.

A aliança resulta de um acordo assinado por cerca de 40 estados e organizações internacionais em 2009 na cimeira do G8 em L'Aquila, Itália. Esse acordo foi acompanhado de atribuições superiores a US$ 20 mil milhões para o estabelecimento do Programa Mundial para a Agricultura e a Segurança Alimentar do Banco Mundial.

Mais de 30 países africanos criaram planos nacionais e programas de investimento para expandirem os seus setores agrícolas através do programa do Banco Mundial, segundo o assessor adjunto da Casa Branca para Segurança Nacional, Mike Froman, que deu aos repórteres uma antevisão das propostas da aliança num briefing a 17 de maio.

“Vimos progressos reais”, disse Froman. “O crescimento da produtividade nos países alvo de Alimentar o Futuro é oito vezes superior ao da média mundial”. Alimentar o Futuro é uma prioridade da administração Obama nessa área, investindo US$ 3.5 mil milhões no desenvolvimento da segurança alimentar em 20 países que vão da América Central, a África e ao Sul da Ásia.

A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton adiantou alguns detalhes das novas atividades relativas à segurança alimentar numa receção a 17 de maio no Departamento de Estado. Ela disse que já estão a ser feitos progressos.

“Nos últimos três anos e meio, tive o privilégio de visitar agricultores, cientistas agrícolas, peritos em saúde e nutrição em vários países”, disse Clinton. “E há verdadeiramente uma excitação palpável porque estamos no bom caminho, estamos prontos para o tipo de inovações que não vemos desde a Revolução Verde”.

No seu discurso a 18 de maio, o presidente Obama explicou que a aliança procurará acelerar algumas iniciativas para que os seus benefícios possam atingir rapidamente as pessoas necessitadas. A aliança introduzirá também produtos e técnicas mais inovadores, disse ele, como sementes melhoradas e melhores métodos de armazenagem. Também disse que a estratégia recorrerá ao uso crescente de telemóveis em África.

Participando também numa conferência de imprensa a 17 de maio, o administrador da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Rajiv Shah, declarou que os parceiros do setor privado desempenharão um papel chave nas comunicações visando os progressos da aliança. “A Vodafone, por exemplo, está empenhada em abranger 500 mil pequenos agricultores com serviços de texto SMS que lhes permitiriam averiguar os preços do mercado local. Em estudos anteriores, concluímos que só esse serviço ajuda os agricultores a aumentarem os seus rendimentos em 20% porque podem negociar melhor os preços no produtor, sem intermediários, quando têm os dados na ponta dos dedos”, disse Shah.

Para melhorar a segurança alimentar, a nova aliança incluirá investigação a fim de se compreender e gerir melhor os riscos agrícolas, em especial tendo em conta a possibilidade de alterações climáticas.

O objetivo final da nova aliança, segundo Obama, será uma atenção contínua à alimentação das crianças. “Quando há boa nutrição, sobretudo nos mil dias durante a gravidez até ao segundo aniversário da criança, isso significa vidas mais saudáveis para essa criança e para a sua mãe. E convém fazer isso porque melhor nutrição significa menos despesas com a saúde e menos necessidade de assistência mais tarde”.

Obama também sublinhou que as atividades da nova aliança se basearão em parcerias, competindo a cada governo definir as suas próprias atividades prioritárias e aos países doadores e organizações privadas alinharem as suas atividades com o plano.