Washington – Quando os países em desenvolvimento procuram melhorar o crescimento económico, o investimento em infraestruturas desempenha um papel importante no estímulo ao comércio, segundo peritos em negócios.
“Em países totalmente subdesenvolvidos, os investimentos em infraestruturas têm retornos extremamente importantes ao longo do tempo”, disse Martin Wachs, professor emérito de planeamento e política de transportes na Universidade da Califórnia, Berkeley, e investigador principal sénior na Rand Corporation. “Aqueles de nós que estudam infraestruturas veem vantagens resultantes de reduções a mais longo prazo no custo de fazer negócios e de atravessar o espaço”.
Na história dos Estados Unidos, projetos importantes de infraestruturas abrangem uma época de construção de canais no início do século XIX, vias-férreas transcontinentais em finais do século XIX e o sistema nacional de autoestradas no século XX. Cada avanço reduziu o custo e o tempo de envio de mercadorias e pessoas em todo o país, desde viaturas puxadas por cavalos a vias navegáveis internas, depois caminhos de ferro e finalmente camiões e carros. Apesar de um projeto não poder ser o único responsável pelo sucesso da América, cada nova tecnologia estimulou o crescimento e cumulativamente transformou cerca de 10 milhões de quilómetros quadrados de extensão rural na principal economia mundial.
Em zonas do mundo da época atual, que não tem estradas calcetadas, redes elétricas, onde o sistema de esgotos é limitado e o abastecimento de água pouco seguro, uma melhoria em qualquer destas áreas detém o potencial de promover o crescimento económico e criar um ambiente que atraia o investimento em negócios e apoie empresas locais.
“A infraestrutura é… provavelmente a única necessidade mais importante para que a África se desenvolva”, declarou Stephen Hayes, presidente do Corporate Council on Africa, a principal organização empresarial americana que liga os Estados Unidos e a África. O conselho representa 180 países e 85% do investimento privado em África. “Não há um único país em África que satisfaça as suas necessidades em termos de energia elétrica”, disse Hayes.
Para que os negócios prosperem em África, deve ser tratada a variedade de sistemas rodoviários e ferroviários, isto sem falar nas incoerências aduaneiras e normativas. A razão pela qual a AGOA (Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África) não teve o sucesso previsto, segundo Hayes, é que não se consegue levar produtos para os mercados internacionais se não se conseguir levá-los facilmente para o porto na região.
Em geral, as estradas deviam ser a primeira coisa a resolver para ajudar, segundo Wachs da Rand. “São tão flexíveis. Dão acesso a muitas coisas: educação, cuidados de saúde, empregos e mercados”.
Uma solução é os governos africanos trabalharem conjuntamente a fim de harmonizarem tudo desde a bitola dos caminhos de ferro a impostos e regras sobre importações e exportações. “Todo o conceito de regionalização é absolutamente essencial”, declarou Wachs, porque permite às empresas locais e aos investidores estrangeiros chegarem facilmente a mercados maiores.
O projeto proposto da barragem de Inga na República Democrática do Congo tem potencial para abastecer a maior parte da África Subsariana com energia segura, um dos ingredientes principais numa sólida infraestrutura para o continente.
Sem dúvida que nem todos os investimentos em infraestruturas são iguais. Devem ser definidas as prioridades dos projetos e realizados apenas se afastarem um obstáculo óbvio ou aumentarem significativamente o acesso em vias de comércio, trabalho e económicas, disse Joseph L. Schofer, um professor de engenharia civil e ambiental na Northwestern University em Evanston, Illinois.
“O investimento nos transportes vai ter um impacto no desenvolvimento económico na medida em que aumenta a acessibilidade. Em zonas subdesenvolvidas e não desenvolvidas, a diferença entre inexistência de acessibilidade e um aumento modesto na acessibilidade poderia ser enorme e fazer uma diferença real”, disse Schofer.

