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Artigos

A estrada para a Casa Branca é pavimentada pelos delegados dos partidos políticos

Por Bridget Hunter | Redatora | 28 de março de 2012
O presidente Obama cumprimenta o público (AP Images)

O presidente Obama, na foto cumprimentando o público em Emporia, Virgínia, em 18 de outubro, não deverá enfrentar nenhum problema sério para a indicação presidencial democrata de 2012.

Washington — Em 6 de novembro de 2012, os americanos irão às urnas para escolher o homem (ou a mulher) que será presidente dos EUA pelos próximos quatro anos, mas antes terão de escolher os delegados dos partidos políticos que votarão nas convenções nacionais para indicar os candidatos que constarão das cédulas.

A estrada para a Casa Branca parece mais longa a cada novo ciclo eleitoral. Há meses, prováveis candidatos têm testado a situação com comitês exploratórios, eventos para arrecadar fundos e viagens aos estados que realizam as primárias mais cedo.

Para chegar à Presidência dos EUA é quase certo que será necessário primeiro ser indicado por um dos dois principais partidos do país conquistando os votos da maioria dos delegados presentes a uma convenção nacional.

Os chamados candidatos de “terceiro partido” — aqueles que não são filiados nem ao partido Democrata nem ao Republicano — podem afetar o resultado da disputa ao tirar votos dos principais candidatos, mas, com base na História dos EUA, provavelmente não serão eleitos.

Os partidos Democrata e Republicano estabeleceram suas próprias regras para escolher os delegados e alocar os votos entre as jurisdições participantes.

ESCOLHA DOS DELEGADOS

Os delegados democratas serão uma combinação de delegados comprometidos (escolhidos em primárias e caucuses para apoiar um candidato específico) e não comprometidos (membros do Comitê Nacional Democrata, governadores democratas e membros democratas do Congresso cumprindo mandato na época da convenção). As autoridades do partido preveem o credenciamento de 5.543 delegados para a Convenção Nacional Democrata, a se realizar em Charlotte, na Carolina do Norte, na semana de 3 de setembro de 2012.

Em 2012, o número de delegados democratas participantes, bem como sua qualificação, provavelmente não terá muita importância. Como a titularidade do cargo (já estar no cargo em disputa) significa uma grande vantagem em qualquer campanha nos Estados Unidos, é pouco provável que o presidente Obama enfrente algum problema sério dentro de seu partido.

Para as eleições de 2012, a grande pergunta é: quem será o republicano que concorrerá com ele? Em 31 de outubro, 16 republicanos anunciaram a intenção de concorrer, e ainda é possível que outros entrem na disputa.

A contagem para os delegados republicanos é determinada por regras partidárias estaduais (ou equivalentes), baseadas em The Rules of the Republican Party [As Regras do Partido Republicano] adotadas pelo Comitê Nacional Republicano em 1o de setembro de 2008:

As jurisdições com membros do Congresso constitucionalmente eleitos têm dez delegados supradistritais (delegates at-large) de cada estado (cinco delegados supradistritais para cada senador americano) e três delegados distritais para cada deputado americano. Nas jurisdições sem membros do Congresso constitucionalmente eleitos, os delegados são alocados da seguinte forma:

• Samoa Americana, Guam, Ilhas Marianas do Norte e Ilhas Virgens dos EUA têm cada um seis delegados supradistritais;

• Distrito de Colúmbia, 16 delegados supradistritais;

• Porto Rico, 20 delegados supradistritais.

Cada jurisdição pode também ter como delegados três líderes partidários, o homem e a mulher representantes da jurisdição no comitê nacional e o presidente do partido Republicano do estado.

Além disso, os republicanos têm uma fórmula complicada de conceder “delegados de bônus” com base nos resultados das eleições federais e estaduais realizadas entre janeiro de 2006 e dezembro de 2011. Essencialmente, as delegações estaduais são recompensadas por eleger republicanos nas últimas eleições.

Em 31 de outubro de 2011, os estados e territórios tinham direito a 2.284 delegados na Convenção Nacional Republicana, marcada para 27 de agosto de 2012, em Tampa, na Flórida. Daqui até lá, os candidatos presidenciais republicanos competirão pelo apoio dos delegados.

A QUESTÃO DO CALENDÁRIO

Outra regra do Partido Republicano estabelece o calendário para a escolha dos delegados. Os partidos estaduais não podem começar a escolher seus delegados para a convenção nacional antes de 1o de fevereiro de 2012 em Iowa, New Hampshire, Carolina do Sul e Nevada; e não antes de 6 de março de 2012 em todas as outras jurisdições. Qualquer jurisdição que infrinja essa regra perde metade de seus delegados.

Para 2012, alguns estados decidiram aceitar essa penalidade e realizar as primárias mais cedo em uma tentativa de aumentar a influência que seus eleitores terão na definição dos candidatos. Arizona, Flórida, New Hampshire e Carolina do Sul anunciaram que realizarão as primárias mais cedo. Dois territórios americanos — Ilhas Marianas do Norte e Porto Rico — também estão considerando escolher seus delegados antes do prazo permitido pelas regras do partido.

A Flórida provocou uma desordem no calendário eleitoral ao marcar suas primárias para 31 de janeiro. Nevada cogitou fazer algo semelhante (marcar para 14 de janeiro de 2012) mas, sob pressão e em meio a ameaças dos candidatos de boicotar o estado, o Partido Republicano de Nevada marcou seus caucuses para 4 de fevereiro de 2012.

A data 14 de janeiro poderia forçar New Hampshire a mudar suas primárias para início ou meados de dezembro para que o estado mantivesse o status de primeiras primárias do país, de acordo com uma carta divulgada pelo secretário de Estado de New Hampshire, Bill Gardner. Caso isso acontecesse, pela primeira vez uma primária seria realizada no ano anterior ao da eleição.

Nas disputas presidenciais do século 21, autoridades estaduais dos dois partidos manifestaram preocupação de que as primárias realizadas mais tarde no ano eleitoral tenham menos influência do que as realizadas mais cedo. À medida que alguns estados adiantam seu calendário eleitoral para ganhar influência, outros estados que tradicionalmente escolhem seus delegados mais cedo tentam fazê-lo com antecedência ainda maior para manter sua importância histórica.

Para os candidatos, vitórias antecipadas podem significar apoio financeiro antecipado. Por outro lado, aparições precárias em primárias antecipadas podem pôr em desvantagem candidatos em condições de obter forte apoio em outras partes do país. Realizar primárias e caucuses muito cedo pode tornar a antecipação da campanha muito cara e forçar os candidatos a tomar difíceis decisões estratégicas sobre onde colocar a equipe e gastar o dinheiro de propaganda.

Talvez por ironia, as pesquisas mostram que os eleitores americanos consideram que as campanhas começam cedo demais em relação ao dia da eleição.

(Produzido pelo Bureau de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA. Site: http://iipdigital.usembassy.gov/iipdigital-pt/index.html)

Candidatos republicanos no palco diante do banner da campanha (AP Images)

Alguns dos concorrentes republicanos pela Presidência dos EUA se reúnem para um debate presidencial na Faculdade de Dartmouth, em Hanover, New Hampshire, em 11 de outubro.