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Artigos

Jornalistas internacionais conhecem processo político americano

Por Kathryn McConnell | Redatora | 13 de fevereiro de 2012
Jornalista entrevista homem com observadores ao fundo (Courtesy of Cecil Wentum)

Cecil Wentum, à direita, entrevista o deputado Charlie Bass, de New Hampshire, antes da primária republicana no estado.

Washington — Quando os americanos forem às urnas em 6 de novembro para escolher seu presidente, 22 jornalistas de todo o mundo estarão acompanhando com um novo entendimento de como os candidatos foram escolhidos para concorrer ao cargo mais alto dos Estados Unidos.

Os jornalistas, que participaram de um programa patrocinado pelo Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos EUA, visitaram sete cidades americanas entre 9 e 20 de janeiro para observar operações de campanha, conversar com eleitores e ouvir especialistas sobre o processo eleitoral.

Alguns ficaram surpresos com o que ficaram sabendo. Cecil Wentum, assistente de programação da Broadcasting Corporation, de Gana, disse ter aprendido que americanos com opiniões diferentes têm o direito de expressar abertamente suas preocupações. Em Manchester, New Hampshire, ele viu partidários de vários candidatos republicanos se reunirem perto da área onde o candidato Newt Gingrich buscava angariar apoio durante uma típica reunião com eleitores — realizada em um pequeno restaurante com a maioria de clientes latino-americanos.

No local de um debate televisionado de candidatos em New Hampshire, integrantes do movimento “Ocupe” manifestavam suas opiniões com veemência, mas com “educação” para os espectadores, disse Federico Ibañez, jornalista do Infobae América na Argentina.

Ibañez inteirou-se sobre o Colégio Eleitoral dos Estados Unidos (texto em inglês), sistema pelo qual os americanos votam em eleitores que se comprometem a votar em um candidato a presidente. O número de eleitores do Colégio Eleitoral corresponde ao número de parlamentares de cada estado no Congresso.

Também ficou sabendo o quanto a posse de armas é importante para muitos moradores de New Hampshire. “Eles têm armas não porque são violentos, mas porque veem a posse com uma liberdade”, disse.

Em Tampa, na Flórida, o grupo esteve com um comissário de eleições e conheceu as fases do processo de votação e como máquinas de votação são usadas para registrar e contar os votos.

Os jornalistas então se dividiram em três grupos — um foi para Des Moines, Iowa; outro para Little Rock, Arkansas; e o terceiro para Indianapolis, Indiana — antes de se reunirem em Washington.

CUSTOS DE CAMPANHA E SUPRESA COM SALÁRIOS

Uma surpresa para Mario Cruz, editor-gerente do jornal Excelsior, da Cidade do México, foi saber que os candidatos “podem gastar o quanto quiserem em propaganda na televisão de acordo com as regras dos gastos de campanha”.

A faixa de salários das autoridades eleitas também foi uma revelação. Por exemplo, Cruz ficou sabendo que em New Hampshire os parlamentares estaduais ganham apenas US$ 100 por ano (basicamente um cargo voluntário), enquanto a Flórida paga a seus parlamentares cerca de US$ 30 mil por ano.

Vitor Abdala, jornalista da Agência Brasil, disse ter ficado impressionado com o fato de alguns americanos viajarem a lugares bem distantes de onde moram para mostrar seu apoio aos candidatos. Disse ter conhecido uma mulher que se deslocou do sul dos EUA para mostrar seu apoio a Ron Paul na primária republicana realizada no estado de New Hampshire, no norte.

Mahmoud Addanou, editor de Assuntos Internacionais do jornal Alray Alaam no Sudão, fez uma observação similar. “Perguntei a uma mulher por que era estava no frio de manhã cedo mostrando seu apoio a um candidato. Ela não estava recebendo nada por isso”, disse. “Ela disse que era uma voluntária que queria participar.” O jornalista acrescentou que no futuro vai se lembrar dessa experiência nos Estados Unidos como inspiração para estimular as pessoas a participar em suas comunidades.

İdil Güngör, correspondente da TV Al Jazeera em Ancara, na Turquia, observou que a economia poderá ser um tópico decisivo na eleição. “As pessoas estão em busca de uma visão mais ampla do futuro”, disse. Ela ficou sabendo que a comunicação cara-a-cara é valorizada. “É importante para os americanos trocarem apertos de mão”, observou.

Muitos dos jornalistas visitantes disseram que a experiência contribuirá para sua cobertura da política americana, mas para muitos a experiência teve uma importância mais ampla. Por exemplo, Wentum trouxe equipamento de gravação de Gana e entrevistou americanos que conheceu para um documentário que planeja fazer quando retornar a seu país.

O voluntariado americano foi um elemento central da viagem, que coincidiu com as comemorações do feriado de Martin Luther King Jr. O aniversário de Luther King, líder influente dos direitos civis na década de 1960, é comemorado em janeiro como dia nacional de serviços à comunidade.

Naquele dia, Ibraheem Shehu Musa, chefe do escritório de Kaduna da Media Trust Newspapers Limited na Nigéria, juntou-se aos demais integrantes do seu grupo e a membros da comunidade onde estava hospedado para prestar serviço voluntário no Exército de Salvação em Little Rock.

“Distribuímos comida aos sem-teto, lavamos louça e varremos o chão”, disse. “Foi uma experiência que nos ensinou humildade.” Quando retornar a Kaduna, quer organizar as pessoas “para dizer, ‘olhem, não temos que depender do governo para tudo. Podemos nos voluntariar’”.

(Produzido pelo Bureau de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA. Site: http://iipdigital.usembassy.gov/iipdigital-pt/index.html)

Pessoas em pé ao ar livre (State Dept.)

Jornalistas visitantes ouvem simpatizante do candidato republicano Ron Paul durante comício em Goffstown, New Hampshire, perto de Manchester.